segunda-feira, agosto 22, 2005

Homofobia Interior

http://www.panterasrosa.com/portalegre.doc
Um comunicado das panteras rosa e da Opus Gay, que convergiram na denúncia de uma situação de agressão em Portalegre, com a PSP local a comportar-se previsivelmente mal e a mentalidade homofóbica a determinar a desculpabilização do agressor e a culpabilização da vítima, por supostamente ser "paneleiro".

Não sei se por força das circunstâncias as panteras se andam a especializar em situações de agressão e discriminação por homofobia no interior do país. Ultimamente, é o que parece, e para nós os eventos deste ano em Viseu tiveram um efeito despoletador. Hoje, chegam-nos denúncias sem descanso de zonas do país onde não existe movimento, talvez não exista tão cedo ou nem venha a existir, mas onde as limitações impostas pela sociedade heterossexista se fazem sentir com particular crueldade e no maior isolamento. Onde a necessidade do movimento é mais premente, exactamente, onde vivem pessoas que não têm possibilidade de se acomodar, cujo sofrimento é o maior potencial de revolta de qualquer movimento lgbt.
Não é fácil intervir no interior do país, sobretudo para um movimento como as panteras ainda bastante sediado em Lisboa (eu disse ainda...) e só o surgimento de novas panteras nos locais onde os conflitos se têm registando tem facilitado a nossa intervenção limitada. Essa rede de vontades é a nossa força, desde que continue a agregar. Abrem-se portas para o Portugal profundo (que só é profundo visto daqui).

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sábado, agosto 13, 2005

A pantera não tem descanso

"Se não há rugidos é porque a homofobia já não existe", diz o Tiago. A ironia merece factos. A pantera não dorme sem um olho aberto, e portanto a ausência de posts foi momentânea. Fomos a Marselha, a um encontro lgbt internacional do melhor que podíamos encontrar www.ueeh.org (muitas experiências, muito debate, 500 lgbt's numa semana de experimentação social, política, relacional livre da heterolândia). Também andamos já de olho no www.queeruption.org.
Mas entretanto, o nosso país-sinho não parou. No mail das panteras continuam a chover casos, a maioria com graus de confidencialidade que não permitem actuar publicamente sobre eles, mas que exigem a nossa intervenção ou pelo menos registo: uma pessoa obrigada a desistir de um curso militar pela sua orientação sexual; um caso para os tribunais - de assalto e agressão homofóbica em Portalegre com a polícia a querer fazer a vítima desistir de uma queixa-crime; uma situação de perseguição a um homossexual em Armação de Pêra; e a extrema-direita a anunciar nos seus 'sites' e blogs ("e o arrastão continua...", intitula-se o post), uma manifestação "contra o lobbie gay, a pedofilia e a adopção por homossexuais" para dia 17 de Setembro.
Lá fora, o caso dos enforcamentos no Irão a merecer uma iniciativa unitária do movimento lgbt numa altura em que esse unitarismo anda disperso e difícil, mas sempre fomos assim, de ondas.
O regresso em força dos rugidos é, portanto, inevitável e necessário. Graurr

sérgio
Observatório Homofobia/Transfobia na Saúde @ Médicos Pela Escolha
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