quinta-feira, novembro 30, 2006

Porque estávamos a divulgar a Lesboa Party e deixaremos de o fazer

Divulgamos a recente troca de emails entre a organização da Lesboa Party e as Panteras Rosa, por entendermos que é do interesse público da comunidade.

Em 29/11/06, sérgio vitorino svitorino@gmail.com escreveu:

"Boa tarde, admito que fiquei negativamente surpreendido com a resposta da organização da Lesboa Party à nossa proposta. Em primeiro lugar, porque não compreendo que a independência da organização da Lesboa Party pudesse ser colocada em causa através de uma iniciativa por nós assumida e da nossa exclusiva responsabilidade. As Panteras Rosa têm divulgado a Lesboa Party e nem por isso cedemos a nossa independência. Talvez se oferecessemos à Lesboa os referidos materiais, a Lesboa pudesse oferecê-los ao seu público? Ou será que o facto de serem acompanhados por um folheto de prevenção que explica a utilização do kit e que é assinado pelo nosso colectivo também porá em causa a independência da Lesboa?

Admito que a nossa pretensão de recolher assinaturas a propósito do referendo sobre o Aborto possa ser posta em causa, visto que de alguma forma vos levaria a estar a tomar posição sobre o tema. Acharia pena, mas compreenderia, se não o quisessem fazer, visto ser a Lesboa uma iniciativa privada que se pretende, como me dizem, independente política e associativamente. Se for este o motivo da recusa, gostaria de saber, porque realmente o nosso desejo principal é levar a cabo um acto de prevenção relativamente a comportamentos sexuais de risco.

Menos compreensão temos com a recusa de materiais de prevenção, para mais materiais de prevenção para sexo entre mulheres, que além de raros em Portugal são, como vocês reconhecem, de grande utilidade pública para esta comunidade. Parece-nos normal o nosso desejo de os distribuir num evento que, mérito vosso, juntou e juntará tantas mulheres lésbicas num só espaço. Para uma campanha de prevenção dirigida a grupos tão marginalizados em Portugal, como compreenderão, são oportunidades raras.

Aparentemente, tal acção não se "enquadra" nos objectivos da Lesboa Party... Ora bem, eu faço activismo LGBT há alguns anitos. Há 15 anos atrás, quando pretendíamos distribuir materiais de prevenção, por vezes meros folhetos informativos, nos estabelecimentos comerciais do Bairro Alto ou do Príncipe Real que tinham uma frequência LGBT acentuada, era exactamente esta a terminologia utilizada para que os mesmos recusassem a sua distribuição. Tenho que dizer, portanto, que fico muito incomodado com uma resposta que não ouvia - lá está - há 15 anos, e à qual sempre objectei por considerar que é, no mínimo, pouco solidária para com o público a que destinam esses projectos comerciais. Ouvíamos, na altura, argumentos como "termos materiais de prevenção é sugerir que as pessoas têm sexo aqui dentro". Será necessário argumentar o ridículo desta resposta? Espero não ouvir da organização da Lesboa Party argumentos semelhantes.

Só em Portugal é que tenho assistido a este fenómeno de incompreensão por parte de responsáveis de iniciativas comerciais dirigidas ao público LGBT, e mesmo por cá esses obstáculos têm sido ultrapassados nos últimos anos. Ainda bem, porque em nenhum outro país europeu o universo privado tem dificuldade em entender que também lhe cabe uma responsabilidade pública. É que não nos dirigimos a um grupo de amantes de Mozart, mas sim a uma faixa da população que é marginalizada, com as consequências negativas evidentes que isso tem ao nível da prevenção para a saúde. Não tenho nenhum problema com iniciativas comerciais que são apenas isso mesmo, iniciativas comerciais, no vosso caso uma festa com o objectivo único de proporcionar diversão ao público e lucro à organização. Absolutamente legítimo, e até louvável, dada a inexistência de iniciativas regulares destinadas a este público específico. Mas não é preciso ser activista para perceber que quem lucra comercialmente com a exploração do chamado mercado LGBT pode e deve assumir a responsabilidade social de, pelo menos, ser veículo do mais básico do básico que é a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Somos bons e boas para proporcionar lucro, mas não merecemos solidariedade mínima quando estão em causa os nossos direitos... Não está mal, para uma iniciativa que se pretende inovadora, recuperar argumentos e comportamentos do gueto pré-associativismo...

Estamos a falar de distribuir materiais de prevenção e informação que escasseiam e que podem salvar vidas, caramba!
Naturalmente, debateremos entre as Panteras Rosa a forma de distribuir estes materiais, e entre outras oportunidades, é evidente para mim que provavelmente o faremos no exterior da vossa festa, e senão nesta edição, com certeza na próxima. Realmente, a nós não nos faz diferença alguma, e não é por aí que nos chateamos, desde que a prevenção seja feita. Mas naturalmente que faremos uma valoração dos argumentos que nos são apresentados pela Lesboa Party.

E lamento a dureza desta resposta, mas há coisas para que não temos pachorra, como provavelmente vocês não a terão para nos aturar.
Passem bem
Pelas Panteras Rosa

Sérgio Vitorino

Em 29/11/06, Lesboa Party <
lesboaparty@entrevirgulas.com> escreveu:
Caro Sérgio,
Obrigada, desde já, pelo e-mail, interesse no evento e apoio na sua divulgação.
Lamentamos a resposta tardia, mas só hoje foi possível responder aos e-mails enviados na última semana para o endereço da Lesboa.
A vossa proposta, que consideramos louvável e de notória utilidade pública, não se enquadra no formato da Lesboa Party. Esta é e quer continuar a ser uma festa LGBT/ hetero-friendly independente de entidades associativas e políticas.
Sem mais assunto de momento,
Um abraço de especial consideração.
A Organização.
http://lesboa.blogspot.com/

-----Mensagem Original-----From: "sérgio vitorino"
svitorino@gmail.comDate: Fri, 24 Nov 2006 23:06:09 -0300 To: lesboaparty@entrevirgulas.comSubject: proposta Panteras Rosa - Lesboa
"Olá, boa noite :)
O meu nome é sérgio vitorino, faço parte do movimento Panteras Rosa. Estivemos informalmente na primeira Lesboa Party e ajudámos a divulgar, tal como estamos a fazer com esta segunda edição, porque olhamos o vosso evento com grande simpatia. Já faltava algo assim na noite de Lisboa.

Escrevo-vos (...) com a proposta que se segue:

temos uma quantidade bastante razoável de materiais de prevenção para sexo seguro, nomeadamente um kit que nós próprios desenvolvemos para distribuição às lésbicas (coisa rara), e que consiste entre outras coisas num par de luvas de latex e um folheto informativo sobre sexo lésbico mais seguro, que podem consultar na nossa página em
http://www.panterasrosa.com/html/sexolesbicoseguro.html

A nossa ideia seria termos uma mesita à entrada da Lesboa na qual pudéssemos fazer distribuição gratuita destes materiais e desta informação. Simultaneamente, temos folhas de assinaturas para a legalização dos movimentos pelo Sim, estando em perspectiva um referendo sobre a questão do aborto, em cuja campanha também estamos
empenhad@s como colectivo.

Fica a proposta, digam-nos se vos parece bem...
Gostaríamos muito de poder fazê-lo, até era mais uma forma de manifestar o nosso apoio colectivo à existência da Lesboa P.

Fiquem bem e digam coisas
saudações felinas

pelas Panteras Rosa

Sérgio Vitorino"

terça-feira, novembro 28, 2006

S. SebastiaNUS Profano

S. SenastiaNUS Profano, exposição de Carlos Silva e Ernesto Lozano (pintor Méxicano), no Centro Comunitário Gay e Lésbico de Lisboa, que será inaugurada às 19h, 2 de Dezembro. (sábado).

sábado, novembro 25, 2006

Referendo Nacional sobre a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez


Ajuda a legalizar os Movimentos pelo Sim
Folhas de recolha de assinaturas e instruções de preenchimento em

http://www.panterasrosa.com/html/home.html

ATENÇÃO: cada pessoa só pode assinar por um movimento. Caso assine por mais do que um, as suas assinaturas serão consideradas inválidas pela Comissão Nacional de Eleições.

Despenalização universal da homossexualidade

A petição internacional "pela despenalização universal da homossexualidade" já foi assinada por cinco prémios Nobel, entre eles o escritor português José Saramago e o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, Dario Fo, Elfriede Jelinek e Amartya Sen. Na lista de signatários surgem figuras como o antigo presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors, o comissário pelos Direitos Humanos do Conselho da Europa, Thomas Hammarberg, os intelectuais americanos Noam Chomsky e Judith Butler, as actrizes Victoria Abril e Meryl Streep, o realizador italiano Bernardo Bertolucci e cantores como Elton John ou David Bowie.

A petição deverá ser transformada em Resolução dirigida às Nações Unidas.

Mais de 70 países no mundo condenam ainda a homossexualidade e numa dezena de países, a pena de morte é a sanção prevista na lei para quem tem relações com pessoas do mesmo sexo.

Assina a Petição em:

www.idahomophobia.org

segunda-feira, novembro 20, 2006

Dia da Memória Trans

Comunicado

O Transgender Day of Remembrance existe para honrar e relembrar aqueles/as que foram assassinados devido a transfobia ou preconceito. O evento acontece em Novembro em honra de Rita Hester, cujo assassinato a 28 de Novembro de 1998 iniciou o projecto "Remembering Our Dead" (um site com informação sobre transgéneros assassinados) bem como uma vigília em São Francisco em 1999. O assassínio de Rita Hester — como a maioria dos casos de assassinato anti-transgénero — ainda não foi resolvido.

Embora algumas pessoas relembradas durante o Transgender Day of Remembrance possam não ser identificadas como transgéneros — como transexual, crossdresser, travesti ou outra variante de género — cada uma foi vítima de violência baseada no preconceito contra as pessoas transgénero.

Vivemos em tempos extremamente sensíveis à violência baseada no ódio, especialmente desde os acontecimentos de 11 de Setembro nos EUA e 11 de Março em Espanha. Mesmo assim, ainda agora as mortes baseadas no ódio anti-transgénero ou no preconceito são em grande parte ignorados. Nesta última década, mais de uma pessoa por mês morreu devido a transfobia ou preconceito, sem ter em conta qualquer outros fatores da sua vida. Esta tendência não mostra nenhum sinal de diminuir.

O Transgender Day of Remembrance serve vários propósitos. Alerta a consciência pública sobre crimes de ódio contra as pessoas transgénero, uma acção que os meios de comunicação actuais não executam. Lamenta, recorda e honra publicamente a vida dos nossos irmãos e irmãs que de outra maneira talvez fossem esquecidos. Pela vigília, expressamos amor e respeito para com os nossos perante a indiferença nacional e o ódio. Lembra as pessoas não-transgénero que nós somos os seus filhos, filhas, pais, amigos e amantes. O Transgender Day of Remembrance também dá uma possibilidade aos nossos aliados de avançarem connosco e participarem nas vigílias, comemorando aqueles de nós que morreram por transfobia.

Este dia sempre foi sistematicamente ignorado por todas as associações ditas LGBT em Portugal.

Este ano, infelizmente, temos uma morte portuguesa a lamentar. Gisberta Salce Júnior, barbaramente assassinada em Fevereiro deste ano. Apesar de terem existido mais antecedentes, nenhum deles teve a atenção mediática que este teve. E para que a sua morte não tenha sido em vão, será necessário que este dia começe também a ser comemorado em Portugal.

Há que encorajar os estudantes para que organizem eventos que sejam espaços para conversas sobre a necessidade de proteger alunos transgéneros contra a discriminação e assédio baseados em identidade/expressão de género. De uma simples vigília, a assembleias, que sejam encorajados a organizar acontecimentos em escolas através do país.

Para que o nome de Gisberta não seja esquecido.

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sábado, novembro 11, 2006

GARRAS DE FORA - PANTERAS NA RÁDIO

A partir de segunda-feira, 13 de Novembro, e quinzenalmente, as Panteras Rosa dinamizam uma crónica radiofónica de dez minutos inserida no programa Vidas Alternativas, que é transmitido por várias rádios universitárias em diversas universidades do País. A emissão pode ser ouvida, por exemplo, através da página da rádio zero (rádio estudantil do Instituto Superior Técnico) na segunda-feira, dia 13, às 20h, em http://radio.ist.utl.pt/ouvir/ ou www.radio.ist.utl.pt/ouvir/

A primeira crónica GARRAS DE FORA pode também ser descarregada e ouvida em qualquer momento através do link http://www.sendspace.com/file/04iju0

sexta-feira, novembro 03, 2006

Já que andamos numa de Festas...


Mas não, nao andamos só numa de festa :)
Como era o dito? "Luta a curtir, curte a lutar!"
Observatório Homofobia/Transfobia na Saúde @ Médicos Pela Escolha
DIVULGAÇÃO