segunda-feira, maio 28, 2007

Moscovo - Sócrates cala violência anti-gays


PETIÇÃO INTERNACIONAL CONTRA OS ACTOS HOMOFÓBICOS EM MOSCOVO:
ASSINA AQUI!

Comunicado de Imprensa

Violência anti-gays em Moscovo, durante a presença de Sócrates
UNIÃO EUROPEIA CALA DIREITOS HUMANOS EM NOME DO NEGÓCIO


"O movimento Panteras Rosa, Frente de Combate à LesbiGayTransfobia, vem por esta via manifestar o seu protesto contra as autoridades russas, pela forma vergonhosa como abdicaram de intervir quer relativamente à proibição, pela Câmara Municipal de Moscovo, da Marcha pelos direitos da comunidade Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero (LGBT), quer perante o bárbaro ataque de que ontem foram vítimas os manifestantes que se manifestavam contra aquela proibição.

Porém, mais vergonhosa ainda do que a impunidade dos elementos ultra-religiosos e de extrema-direita que atacaram esta Marcha - no contexto actual da política russa em que todas as expressões de oposição ao regime de Putin têm, como é sabido, sido calados pela repressão policial e prisão de dirigentes da oposição - é o silêncio insuportável da União Europeia, que em nome dos acordos comerciais em negociação com aquele país, cala fundo as violações dos Direitos Humanos.

A presença e o silêncio de José Sócrates, que se encontrava em Moscovo e está à beira de assumir a presidência da União, não são senão o comprovativo do duplo peso e dupla medida da União Europeia, cuja retórica parece só evocar os Direitos Humanos e a sua violação quando os grandes interesses comerciais e financeiros não são afectados.

Em pleno "Ano Europeu para a Igualdade de Oportunidades", comemorado com pompa e circunstância pelos governos europeus, a não-atitude do primeiro-ministro português é um sinal particularmente hipócrita que permite antever o que será, em termos de promoção e defesa dos Direitos Humanos no mundo, a presidência portuguesa da União Europeia, e de como a Europa hoje em construção, a tal dos "princípios humanistas" e dos "Direitos Humanos", só tem lugar quando não prejudica o negócio.

Ontem foi um dia de vergonha para as autoridades russas. Mas foi também um dia de vergonha para José Sócrates e para a União Europeia. E não deixaremos de o lembrar!

quinta-feira, maio 24, 2007

ORGULHO É PROTESTO. BLOCO ALTERNATIVO MADRID 2007.

ORGULHO É PROTESTO. BLOCO ALTERNATIVO MADRID 2007.

APELO INTERNACIONAL subscrito pelas Panteras Rosa (ver post PANTERAS ROSA EM MADRID - EUROPRIDE ALTERNATIVO)

O “Bloco alternativo” (Bloque Alternativo), formado pelos diferentes grupos LGBTQ e pessoas reunidas numa assembleia, convida-te a participar na sua manifestação crítica e dissidente coincidindo com a celebração do desfile “Europride – Orgulho europeu” que terá lugar em Madrid, no próximo 30 de junho, sábado.

No passado “Orgulho 2006”, já saímos às ruas de Madrid como Bloco Alternativo, para tornar visível a nossa discordância com o modelo maioritário de “desfile” que, ano após ano, nos é imposto. Em 2007, achamos ainda mais necessário levantar a nossa voz face a uma convocatória como a do “Europride” que, organizada por um grupo empresarial e multinacional, promove ainda mais os valores e padrões LTGB reformistas e mercantilistas contra os quais nós estamos contra. É por isso que a nossa proposta é retomar o espírito de protesto e mobilização que, sem deixar a visão lúdica de uma celebração colorida e alegre, não esqueça as reivindicações contra a discriminação e a intolerância que sofremos pela nossa orientação sexual.

É por isso que nós convidamos todas as pessoas de dentro e fora da cidade de Madrid que queiram juntar-se a esta proposta. Estamos a preparar actividades para o próximo dia 30 de junho em Madrid, como são, um almoço popular, debates, assembleias, acção directa e festas que finalizarão com a participação reivindicativa no Orgulho 2007 como “Bloco Alternativo”. O programa que convoca para as diferentes actividades estará brevemente na web: www.bloquealternativo.org , onde também poderás achar textos de discussão, notícias e informação sobre alojamentos gratuitos durante o fim de semana do Orgulho, para as pessoas que vierem de fora da cidade. Também podes contactar com o Bloco Alternativo escrevendo um e-mail para: bloque@bloquealternativo.org

Porquê um Bloco Alternativo?
O Bloco Alternativo é uma assembleia de grupos e pessoas LTGBQ de Madrid que conta com o apoio de diversos movimentos sociais madrilenos, assim como de grupos LGTBQ afins de Zaragoza, Donosti, Porto, Lisboa, Barcelona e outras cidades. Não nos une somente a nossa rejeição ao progressivo materialismo consumista das mobilizações do Orgulho madrileno, onde ano após ano os empresários e a propaganda ganham maior protagonismo que as mensagens reivindicatórias em defesa dos direitos e liberdades das pessoas LTGBQ. Não somente nos opomos à corrente despolitizada e institucional de certos sectores do movimento que, em Madrid e em outros muitos lugares do mundo, parecem seguir um modelo de obediência aos Governos, as instituições e os partidos políticos neo-liberais. Não somente nos mostramos contra a imagem patriarcal, masculina e burguesa da realidade LTGB, em prejuízo da visibilidade das pessoas transsexuais, das mulheres lésbicas, da diversidade sexual em todas suas formas, e, em geral, das pessoas LTGB precárias, imigrantes, operárias, estudantes, seropositivas, desempregadas…

Não somente isso. Queremos levantar a voz contra a violência, as humilhações e as discriminações que sofrem as pessoas LTGBQ, seja por parte de fascistas nas nossas ruas, como de polícias nas esquadras das nossas cidades. Queremos que se respeite integralmente a identidade das pessoas transsexuais e suas reivindicações em matéria de saúde, trabalho, respeito social e não-patologização. Queremos que se reconheçam as represálias sofridas pelas pessoas LTGB sob o regime franquista e que se lhes destinem medidas de desagravo e reparação aos abusos dos quais foram objecto. Queremos que se reconheçam os direitos das pessoas LTGBQ menores de idade nos seus âmbitos escolar, familiar e social e das pessoas LTGBQ da terceira idade, condenadas a segregação e ao esquecimento.

Queremos denunciar a onda conservadora que invade a Europa e outros lugares do mundo, desde a intolerância da Igreja Católica e outras religiões, as medidas repressivas do Governo polaco e diversos organismos institucionais de muitos outros países presumivelmente “democráticos”. Queremos solidarizar-nos com as pessoas LTGBQ dos países do chamado “Terceiro Mundo” e denunciar o autoritarismo heterossexual que sofrem sob ditaduras que em ocasiões são permitidas e fomentadas pelos governos ocidentais. Queremos exigir o fim dos assassinatos por motivo de orientação sexual que com frequência ainda são cometidos em zonas afastadas e em cidades próximas com a cumplicidade silenciosa da maioria.

Em resumo, queremos retomar as exigências históricas fundamentais do movimento LTGBQ que, muito mais do que o matrimónio e algumas reformas assistenciais insuficientes, continuam pendentes de solução. Queremos consegui-lo com a nossa presença no Orgulho, mostrando a nossa mensagem sem censuras nem restrições, e fazendo do orgulho a libertação, e da celebração a nossa melhor ferramenta.

Queremos contar contigo na luta reivindicatória e festiva. Não deixe de juntar-te a nós.

Queer me up!

EIRA 33
Queer me up!

Coordenador@s
João Oliveira, Rafael Alvarez, Francisco Camacho

Queer me up! é um ciclo de pesquisa e criação que visa expandir as possibilidades queer nas artes performativas contemporâneas. A proposta é partir de um olhar cinemático, para construir e desconstruir performances identitárias queer e explorar as possibilidades de subversão da heterossexualidade compulsiva.

Pretendemos desenvolver um espaço de criação que culmine na construção de pequenos filmes, que explorem as potencialidades conceptuais do imaginário queer. No plano pedagógico, partiremos de metodologias que exploram os contributos do cinema, através do visionamento de excertos de obras do chamado novo cinema queer, a par de discussão conceptual e espaços para a criação.

* É conveniente que os participantes tragam câmara de vídeo.

DATAS # 1, 2 e 3 de Junho > 16h00 às 20h00
15 de Junho # Apresentação de resultados

LOCAL # eira 33 _ Rua Camilo Castelo Branco 33, 1º andar
[edificio Bombeiros Lisbonenses, Metro: Marquês

INSCRIÇÕES # 40€ T. 21 353 09 31 TM. 91 2555 100 eirageral@mail.telepac.pt http://eira33.blogspot.com/

Panteras em acção no MAYDAY!

Já passado algum tempo (era preciso revelar as fotos), fica um gostinho do que foi a participação das Panteras no Mayday!, no 1º de Maio em Lisboa. Algumas fotos do Tiago Braga e algumas palavras de ordem que gritámos e pintámos a stencil na nossa faixa:
- Trabalhador e bicha, dupla precariedade!
- A Exclusão não dá tesão, a precariedade tira avontade!
- Sindicalismo "invertido" já!
- Sindicalismo "desviante" Já!
- Fufas e paneleiros de todo o mundo uni-vos!
- Heteros e homos junt@s contra a precariedade.
- No trabalho não precisamos de: Patrão explorador/ Colega opressor/ Sindicalismo omissor.
- Precariedade laboral + discriminação sexual = Opressão Total
- Transexual: exclusão laboral
- Igualdade sexual no mundo laboral
- Contra a apatia e a burocracia. Fim à LGBT fobia
- Submissão só na cama (e é consentida).
- Trabalhador@s do sexo criemos um sindicato.
- Neoliberalismo = chulice social.
- Capacidades laborais não estão nos genitais.
- Que a vertente paneleira/fressureira não interfira na carreira.
- País precário, fora do armário!

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segunda-feira, maio 21, 2007

Nem à minha mãe posso doar sangue!

Continua a haver muitos ecos da acção sobre o sangue, muita pessoas a comentar e também algumas dúvidas, que podemos ir esclarecendo. Retirados, mais ou menos aleatoriamente, da blogoesfera:

No Glória Fácil, o blog da jornalista Fernanda Câncio (entre outr@s), um texto da médica Ana Matos Pires, que esteve connosco na referida acção das Panteras: http://gloriafacil.blogspot.com/2007/05/do-caixoto-do-glria-sobre-o-assunto-do.html
Nada podia ir melhor de encontro aos nossos objectivos do que motivar um discurso médico contra esta proibição, que possa desenvolver-se para lá do activismo LGBT, e partilhar connosco as dúvidas que
temos colocado sobre a segurança do sistema de recolha de sangue, e os riscos para a saúde pública que consideramos estarem em causa, e dos quais a discriminação de dadores homossexuais é quase apenas um sinal.

http://womenageatrois.blogspot.com/2007/05/blog-review-do-sangue-e-de-outras.html

http://womenageatrois.blogspot.com/2007/05/da-desonestidade-ou-da-burrice-googlar.html

Leiam também a discussão da Fernanda Câncio, no mesmo blog, com alguns defensores da proibição.
http://gloriafacil.blogspot.com/2007/05/os-doutoramentos-pelo-google.html
http://gloriafacil.blogspot.com/2007/05/o-direito-do-joo-miranda-ignorncia-e-ao.html
http://gloriafacil.blogspot.com/2007/05/e-o-jcd-tambem-quer-ter-direito-ao.html

Não percam, no RITITI, o excelente texto PRÉMIO VAI AO CU A TI: O ESTADO PORTUGUÊS, EM GERAL (http://www.rititi.com/2007/05/prmio-vai-ao-cu-ti-o-estado-portugus-em.html)


Infelizmente, a discriminação chega mesmo ao ponto de dadores gays poderem ser recusados até quando se trata de doarem para os seus familiares, uma dúvida colocada, por exemplo, no Ser Gay .

Como já acompanho a questão da doação de sangue há muitos anos, sei do que falo. A questão foi originalmente levantada pela ABRAÇO, e, nos anos 90 por um dos precursores do movimento LGBT português - o José Carlos Tavares, do GTH-PSR. Em 2003, há registo de uma queixa apresentada por ele ao Ministério da Saúde: quis doar sangue para a sua mãe, então em internamento hospitalar no Garcia D'Horta, e foi impedido de o fazer.
Tenho a cópia desse documento à minha frente.

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sexta-feira, maio 18, 2007

Porto Homofobia espreita a cada esquina da Baixa

Na cidade onde mataram Gisberta... no Dia Mundial Contra a LesBiGayTransfobia... nada de novo! E muitas razões para lutar!

"Porto Homofobia espreita a cada esquina da Baixa
Jornal Público - 18.05.2007
Fernando Mariano e Vicente Martinez de mãos dadas na Baixa do Porto. Viram-se rostos para trás. Olhares, risinhos. Dir-se- -ia que o casal representa uma comédia. Um trolha interrompe o seu labor, um trintão tropeça, um cinquentão protesta. Numa loja, um funcionário afoga o riso com as mãos. Noutra, uma funcionária transborda espanto ("Saíram daqui e deram um beijo!") e outra sossega-a ("Não tem mal"). Lá fora, um idoso alerta a mulher ("Gays!"). Num café, um empregado faz sinal aos colegas. Até a cozinheira e o gerente vêm espreitar. Todos olham. Todos riem. O casal sai e a caixa desfaz-se: "De mão dada e tudo! Os filhos da p...". Fernando e Vicente avançam para o Mercado do Bolhão. "Ainda falam que os nossos filhos andam com uma e com outra, mais vale gostar de mulheres", advoga uma vendedora. "Coitadinhos", suspira outra. "Ordinários", ouve-se mais à frente. "Infelizmente, é para o que estica." Olhares, risos. Rua acima, rua abaixo. Junto ao Instituto Abel Salazar, uma estudante goza: "Acho que vou vomitar". Frente ao Hospital de Santo António, uma mulher chama o marido: "Nando! Olha ali para o teu lado esquerdo!". O Porto homofóbico apanhado, ao acaso, na rua, pelos Panteras Rosa. Se calhar é sempre assim. A.C.P. "

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quinta-feira, maio 17, 2007

DIA MUNDIAL CONTRA A LESBIGAYTRANSFOBIA!




Após uma muito bem sucedida acção de denúncia das contradições e do risco da proibição de doação de sangue por dadores homossexuais masculinos, que realizámos ontem frente ao Ministério da Saúde com a presença de um conjunto de médicos, profissionais de saúde e estudantes de Medicina que contribuíram para reforçar a ideia de ausência de critério médico nesta exclusão, as Panteras Rosa prosseguem hoje as actividades de comemoração do Dia Mundial contra a Homofobia (LesBiGayTransfobia, preferimos mesmo o palavrão), com a realização de uma nova acção de "teatro invisível" no Porto.
As Panteras do Porto levam hoje a cabo no centro da cidade um "termómetro da homofobia", para o qual um casal gay se irá expôr à homofobia popular sob o olhar atento mas discreto de jornalistas que os seguirão de perto para recolher as reacções dos cidadãos à passagem de um casal despreocupado de namorados que não se inibirão de trocar expressões visíveis de afecto entre duas pessoas do mesmo sexo.

A acção sobre o sangue decorreu com grande atenção dos meios de comunicação social, com grande pressão dos mesmos sobre o IPS e o Ministério da Saúde. Deixámos uma carta ao ministro, exigindo a sua intervenção e explicando que já nos basta de "diálogo de surdos" com o IPS, ou seja, a partir de agora, sobre esta matéria, bateremos sempre directamente à porta da tutela. Estamos em crer que os nossos argumentos foram muito bem compreendidos, não apenas aqueles relativos à discriminação em si, mas também quando afirmamos que estes procedimentos acrescem a muitas falhas que se reconhecem no sistema de recolha de sangue português no sentido de prejudicar a protecção da qualidade do sangue, com graves riscos para a saúde pública. Sentimos que o IPS cada vez menos consegue explicar as suas posições irrazoáveis, e que demos mais um importante passo para a eliminação desta exclusão arbitrária.

terça-feira, maio 15, 2007

Comunicado Panteras Rosa 16 Maio 2007

Proibição da doação de sangue a dadores homossexuais masculinos: uma discriminação inaceitável.

O Instituto Português do Sangue (IPS), organismo público dependente do Ministério da Saúde, insiste há anos, apesar da argumentação em contrário das associações LGBT, na política discriminatória e isenta de critério médico que consiste em interditar a homossexuais masculinos a possibilidade de doação de sangue.

De facto, as normas estipuladas pelo IPS vão neste sentido, levando a que Centros de Recolha de Sangue e hospitais apresentem aos dadores formulários que incluem entre as interdições “Práticas Sexuais com pessoas do mesmo sexo (dador masculino)”.

Ao contrário de outros critérios presentes, como “práticas sexuais com múltiplos parceiros nos últimos 6 meses”, a homossexualidade não pode ser considerada, em si, como uma prática de risco. A existência de tal restrição transmite erradamente uma valorização discriminatória das práticas homossexuais masculinas – já bem patente em declarações de 1999 do então - e até há bem pouco tempo, presidente do IPS José D’Almeida Gonçalves, segundo as quais “pelo menos 50% dos homossexuais são promíscuos” - e promove a ideia falsa de que as mesmas práticas sexuais de risco possam ser menos arriscadas se praticadas por casais heterossexuais.

Porque falamos em discriminação?
No questionário que o IPS entrega aos dadores, a pergunta “sendo homem, manteve relações sexuais com outros homens?” visa impedir todo e qualquer homem que tenha tido contacto homossexual de doar sangue. Isto implica que todo e qualquer homossexual é impedido de o fazer - há portanto todo um grupo na sociedade que não pode ser dador.

Como sabemos pela ciência médica pelo menos desde o advento da crise do HIV nos anos 80, as infecções sexualmente transmissíveis, HIV e outras, necessitam de uma via de infecção, neste caso, contacto sexual. Ora sabemos que a maioria das infecções se evita com o uso do preservativo, e que isto é valido para todo o tipo de contacto sexual.

A triagem do sangue pelo IPS, devia, assim, concentrar-se mais em questionar os potenciais dadores sobre o uso de COMPORTAMENTOS sexuais de risco ou de práticas de sexo mais seguras, precaução válida tanto para homossexuais como para heterossexuais, sendo então inexplicável a existência de uma triagem diferente para uns e para outros.

A não ser que os critérios do IPS correspondam ao preconceito de que os homossexuais são geneticamente promíscuos; mais promíscuos do que os heterossexuais; de que além de promíscuos, são geneticamente estúpidos, pois recusam-se a usar preservativo nas suas relações; que não há homossexuais fiéis, com relações estáveis e que se testem para o HIV com frequência, lá está, porque são geneticamente estúpidos!

A qualidade do sangue está mesmo a ser protegida?
Foi o bastonário da Ordem dos Médicos, doutor Pedro Nunes, quem, relativamente ao sangue, declarou em 2006: "tal como a pergunta está formulada, o critério do comportamento de risco - sexo anal - está a filtrar mais cidadãos homossexuais e menos outros cidadãos que também deveriam ser filtrados por essa pergunta, constituindo na prática uma discriminação eticamente inaceitável, que terá mais a ver com a tranquilidade psicológica de quem está no processo".

O questionário do IPS coloca a questão na mera orientação sexual do dador, e assim prescinde de inquirir mais detalhadamente sobre práticas de risco concretas como o sexo anal, praticado tanto por homossexuais como por heterossexuais. Ora, nenhuma prática sexual de risco pode realmente ser atribuída exclusivamente aos homossexuais ou a todos os homossexuais.

O IPS incentiva assim à mentira - muitos homossexuais dão sangue ocultando a sua orientação sexual e respectivas práticas sexuais - e em nada contribui (pelo contrário) quer para o esclarecimento dos potenciais dadores, quer para a real protecção da qualidade do sangue recolhido.

Acrescente-se a diversidade de leituras desta restrição que se podem encontrar nos hospitais portugueses, porque da proibição à prática, vai um mundo:

Numa pesquisa de terreno realizada no mês passado em locais de recolha de sangue em Lisboa, Porto Coimbra e Santarém, as Panteras Rosa registaram uma inteira disparidade de situações: casos de homossexuais que foram dadores ao longo de anos que subitamente passam a ser impedidos de concretizar a doação por um médico mais zeloso; hospitais que recusam igualmente a doação por parte de mulheres lésbicas; centros regionais do IPS que fogem à regra e permitem discretamente a doação por homossexuais masculinos... em que ficamos, afinal?

Onde está a harmonização do sistema de doação de Sangue prometida há anos e "a uniformização dos critérios de avaliação das dádivas de sangue"? Onde está, aliás, a nova Lei Orgânica do Instituto Português de Sangue? Porque demora o sistema de hemovigilância adequado que o Plano nacional de saúde 2004/2010 admite ser urgente implantar, e que permitiria a divulgação dos dados nacionais do sangue recolhido, nomeadamente a prevalência de dádivas infectadas com o HIV ou as hepatites B e C, doenças cuja sub-notificação é por demais conhecida?

Onde está, já agora, a transposição para a legislação nacional da Directiva 2004/33/CE da União Europeia, que se refere à qualidade do sangue e aos critérios de exclusão de doação no espaço da UE e que deve ser adoptada em todos os seus Estados-membros?

"ANEXO III
CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE DE DADORES DE SANGUE TOTAL E DE COMPONENTES SANGUÍNEOS
(Artigo 4.o)
2. CRITÉRIOS DE SUSPENSÃO PARA DADORES DE SANGUE TOTAL E DE COMPONENTES SANGUÍNEOS
2.1. Critérios de suspensão definitiva de dadores de dádivas homólogas (...)
Comportamento sexual - Indivíduos cujo comportamento sexual os coloque em grande risco
de contrair doenças infecciosas graves susceptíveis de serem transmitidas pelo sangue”.


Exactamente que “comportamento sexual” que “coloque em risco de contrair doenças infecciosas graves susceptíveis de serem transmitidas pelo sangue” é que o IPS atribui particular e exclusivamente a homossexuais? E como se explica, por exemplo, que as mesmas pessoas possam ser dadores de medula óssea (uma forma alternativa de doação de sangue) sem qualquer restrição?
Há mais de dez anos que estamos curiosos e sem receber respostas. E há demasiado tempo que esperamos.

Porque saímos tod@s prejudicad@s?
Em primeiro lugar, por continuarmos a viver num País que discrimina em função da orientação sexual, em que a homofobia ainda é critério oficial.

Mas, sobretudo, no caso concreto, (as campanhas públicas do IPS não mentem) porque os Hospitais precisam mesmo desse bem precioso que é o Sangue. “A colheita de sangue é inegavelmente insuficiente para fazer face às necessidades do País”, é o Plano Nacional de Saúde 2004/2010 que o afirma.
Mas milhares de potenciais dadores estão a ser excluídos liminar e aleatoriamente de o doar, sem acréscimo de salvaguarda da protecção da qualidade do sangue e por via duvidosa para a mesma.

Esta é uma política PERIGOSA!
Perigosa, porque desperdiça imenso sangue de qualidade, que escasseia nos hospitais. Perigosa, porque fomenta a percepção que os homossexuais são, em si, um risco para as doenças infecto-contagiosas. Quantos mais adolescentes heterossexuais portugueses se desleixem nas suas práticas sexuais por acreditarem nesta ideia - vejam-se os números de 2004 para o HIV: 34,5% para heterossexuais e 11,7% para homossexuais masculinos, com tendência para crescer no grupo heterossexual – mais estará em risco a sua saúde e a saúde de todos.

Trata-se de combatermos uma política de saúde que é baseada em falsidades científicas e que não olha à realidade do mundo social que a rodeia.
Trata-se de discriminação, porque se encara todo um grupo (os homossexuais) como reprodutores de um comportamento único e estereotipado.

Por tudo isto, hoje, na véspera do Dia Mundial Contra a Homofobia, - à falta de uma resposta médica séria e perante anos de diálogo de surdos com o IPS, - queremos do ministro da Saúde, a tutela, a única resposta política exigível: a revisão de um critério discriminatório.

Movimento Panteras Rosa – Frente de Combate à LesBiGayTransfobia
Véspera do Dia Mundial Contra a Homofobia


ACÇÃO PANTERAS PRÓXIMA 4ª FEIRA




Amanhã, quarta-feira, 16 de Maio, 13h, MINISTÉRIO DA SAÚDE:
HOMOSSEXUAIS VÃO ENTREGAR SANGUE AO MINISTRO DA SAÚDE


Na véspera, e para assinalar, o Dia Mundial contra a Homofobia(a 17 de Maio), o movimento PANTERAS ROSA - Frente de Combate à LesBiGayTransfobia, vai realizar uma acção pública contra a proibição de sangue por dadores homossexuais pelo Instituto Português do Sangue (IPS).

A acção consiste na entrega simbólica de sangue por dadores homossexuais ao ministro da Saúde, e terá lugar na próxima quarta-feira, dia 16 de Maio, pelas 13h00, frente ao Ministério da Saúde, Av. João Crisóstomo, 9, em Lisboa, insistindo na entrega de sangue que o sistema está a excluir deliberada e discriminatoriariamente, e na falta que este faz nos Hospitais.

A iniciativa visa também questionar o ministro da Saúde sobre a manutenção desta discriminação, para mais quando há um ano existiram declarações no sentido de lhe pôr fim, e levar o ministério a pronunciar-se e tomar posição sobre a matéria.

Para isso, estarão igualmente presente vários médicos, profissionais de Saúde e estudantes de Medicina convidados, que farão a crítica aos critérios de doação do IPS do ponto de vista médico, para comprovar a total inexistência de critérios médicos que justifiquem o prosseguir de uma discriminação injustificada e preconceituosa que está não apenas a discriminar milhares de potenciais dadores, como é ilustrativa das actuais falhas do sistema de dávidas de sangue português, e coloca em perigo a qualidade e segurança do mesmo .


Vem protestar contra esta discriminação!






Workshop Trans Formação


Workshop Trans Formação
Com o objectivo de dar visibilidade à temática da transsexualidade, o GRIP – Grupo de Reflexão e Intervenção do Porto da Associação ILGA Portugal – e a Rede Ex-aequo vão organizar um “workshop” subordinado ao tema Perspectivar a Transsexualidade no Activismo LGBT, a ter lugar na cidade do Porto, e que estará aberta aos movimentos associativos de todo o país. Serão abordadas as diferentes percepções da transsexualidade, o percurso histórico da comunidade, estereótipos e preconceitos, as problemáticas da vivência transsexual, e as reivindicações legais, clínicas e sociais da comunidade.
O “workshop” terá lugar no dia 2 de Junho, sábado, com início às 16:00h, no espaço Maria Vai com as Outras (Rua do Almada, nº443).
Intervenientes:> Filipe Tisco (rede ex aequo);
> Luísa Reis (GRIP);
Moderação:
> Telmo Fernandes (GRIP);
A participação é livre mas é necessária pré-inscrição, até ao dia 31 de Maio, para o endereço
grip.ilga@gmail.com, devendo indicar o nome e contacto.

quinta-feira, maio 10, 2007

PANTERAS ROSA EM MADRID - EUROPRIDE ALTERNATIVO


Tal como outras associações lgbt portuguesas, estamos a organizar-nos nas Panteras Rosa para, no fim de semana 29 Jun-1Julho - que fica entre os das marchas do Orgulho de Lx (23 Jun) e do Porto(7 Jul) -, irmos a Madrid por ocasião do Europride.

A nossa ida a Madrid far-se-à em conjunto com uma das redes lgbt alternativas no Estado Espanhol, que agrupa várias organizações madrilenas. Iremos participar num bloco alternativo dentro da marcha do Europride e numa série de outras actividades à margem do mesmo (debates, conferências, festa) no dia 30.

Os grupos madrilenos garantem-nos alojamento gratuito nas noites de 29 Jun e 30 Jun (para a eventualidade de querermos regressar na segunda de manhã).

Não estamos a "centralizar" a organização das viagens, portanto cada um/a deve tratar da sua (e se for de avião, o mais rápido possível), e encontramo-nos lá. Entretanto, teremos mais pormenores sobre o ponto de encontro, as iniciativas, o alojamento gratuito que nos vão garantir e outros detalhes.

Se queres vir connosco a Madrid ou beneficiar do alojamento gratuito (em que condições saberemos em breve) , diz-nos: panteras.lisboa@gmail.com

Para @s interessad@s , a melhor opção (mais rápida e mais barata) é de avião pela http://www.vueling.es/PT/index.php. IDA: sexta, 29 Jun, 9:35 ou sábado, 30 Jun, 20:25 VOLTA: segunda, 2 Jul, 7:20 ou terça, 3 Jul, 7:20 Alguns/algumas de nós iremos nestes vôos, cujos preços estão a rondar neste momento os 80 euros (ida e volta).

Bus: os bilhetes de autocarro para Madrid (ida a 29, 6ª e regresso a 1 ou a 2 Jul, dom ou seg) custam 77 euros na Alsa, portanto é outra opção de viagem para quem estiver menos abonad@.
http://www.alsa.es/VentaParticulares/contenidoHorarios.jsp?internacional=S

Alguns dos colectivos e redes com que temos mantido contacto no Estado Espanhol:
http://www.rqtr.org/webwww.liberaccion.org
http://www.redcontralahomofobiaorg/news.php
http://maribolheras.blog.com/
http://www.fagc.org/fagc/index.php
http://www.colectiugai.org/

Novos materiais Panteras Rosa

Cá estão as nossas criações gráficas mais recentes para tshirts, casacos, mochilas, pin's, lenços. Temos banca renovada :) jeje

Gisberta em Tela




Temos à venda um magnífico quadro a óleo, "Gisberta", executado por uma Pantera do Porto mais dada às artes, Vicente Andréu. O artista pintou a obra em memória de Gisberta Salce Júnior durante uma das intervenções recentes das Panteras sobre o 1º aniversário do crime que a vitimou.
O Vicente pintou este quadro há já algum tempo, como forma de intervenção pública sobre o caso, mas também para que revertesse em fundos para a actividade quotidiana das panteras.
Preço: 250 euros
Queira contactar-nos quem quiser adquiri-la -
panterasporto@gmail.com

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sexta-feira, maio 04, 2007

HIV e Pornografia

Quer se queira, quer não, a pornografia tem assumido um papel cada vez mais relevante no inicio da sexualidade d@s jovens. Este inicio corresponde às primeiras aprendizagens que se fazem sobre a mesma. Desta forma é preocupante o não uso de preservativos nestes filmes, revistas, etc. Passando um comportamento de risco a ser apresentado como algo banal,habitual, comum e aceitável.
Para mim é ainda mais preocupante a quase completa falta de interesse por esta situação na
"comunidade" heterossexual. Que prefere enterrar a cabeça na areia, fingir que @s jovens não
vêem "essas coisas" e seguir em frente. Claro que esta falta de interesse tem ocurrido na "comunidade" LGBT, mas a dimensão do problema, parece-me muito mais grave, do lado hetero. Que continua a afirmar que a SIDA é um problema de "drogados e paneleiros". Depois as pessoas LGBT é que assumem muitos comportamentos de risco e depois não podem dar sangue.

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Marcha(s) Global(is) da Marijuana - Lisboa e Porto






É já este sábado :)

Links:
Marcha Global da Marijuana (Porto)
15:00 na Praça do Marquês.
Marcha Glogal da Marijuana (Lisboa)
16:00 no Largo do Rato

Já agora, a Marcha no Diário de Notícias de hoje.





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Observatório Homofobia/Transfobia na Saúde @ Médicos Pela Escolha
DIVULGAÇÃO