sexta-feira, novembro 30, 2007

Carta ao Viegas.

Não deixem de ler também o excelente comentário de Daniel Oliveira em http://arrastao.org/lgbt/ainda-e-cedo/

CARTA AO VIEGAS

Francisco José Viegas escreve. Já o sabemos. Desta vez, contudo, surpreendeu mais do que nunca, ao conseguir (quando comparadas as suas qualidades de pensamento literário com as dela) converter Margarida Rebelo Pinto numa verdadeira e merecidíssima candidata ao Nobel da Literatura.
Tão iluminado por um blogue (porque teve preguiça de ir mais além), diz que " hetero que é hetero nem menciona o facto, limita-se a nem falar do assunto". Mais adiante, repete a ideia. Só que a ela foge de forma "histérica", como apelidou massivamente as reacções (que não entende!) das pessoas LGBT. Depreendo que então "hetero" não possa ser vossa mercê, já que tudo o que escreve – e desde logo aí começa a questão: sentir-se compelido a escrever e a "falar do assunto" - contraria tal inutilidade da afirmação dos "heteros". Francisco, Francisco… olhe que a gente pode não ter recebido prémios da Associação Portuguesa de Escritores, mas (umas vezes pior, outras bastante bem) sabe ler o que vossa mercê profere!

A idiotice que (estando sóbrio?!) reconhece à campanha da Tagus é directamente proporcional às atrocidades que escreve. Diz-nos que a mesma campanha foi "inexplicavelmente" retirada do site – não, não foi inexplicavelmente, querido Francisco, foi por mobilizar pessoas (felizmente) atentas a palavras tão perigosas, chauvinistas, retrógradas (e ainda acha que "há sinais dos tempos"?!) como as suas. Leia mais atentamente a História e verá que foi em ignorâncias como as que nos oferece que os totalitarismos e os genocídios beberam as mais fortes inspirações. Ignorâncias (quase sempre) fingidas por parte de quem se sentava nos tronos para ganhar prémios, materiais ou de outra espécie. Oxalá os seus prémios não nos levem a temer que o seu nome se equipare ao de Hitler.
"Parecer-lhe" que não há ódio não chega: exactamente por isso, por se limitar ao "parecer" sem se esforçar por saber, depois dos prémios que recebeu e dos cargos que ocupa, é necessário que se fundamente. Valia a pena perceber (sabendo, em vez de lhe "parecendo") que não, não somos uma "classe de coitadinhos e de vítimas de tudo e de nada". Afinal, nem temos que ser vítimas de "tudo", porque já somos vítimas de palavras como as suas. Se se queixa que hoje há que "vigiar cada distracção, cada frase mal pronunciada", imagine que queixas temos nós enquanto houver pessoas como você, querido Francisco, ao dizerem coisas assim. Não sei se bebeu demasiada Tagus. Parece - aqui a palavra faz, por decorrência lógica da sua falta de lógica, muito sentido. Mas, mesmo que a tenha bebido (e a gente sabe que tem direito a fazê-lo) nem por isso está perdoado. Escreva, preferencialmente, quando os efeitos nocivos de tais líquidos tiverem já cessado.
Quer ainda parecer-me que Fernando Pessoa ficaria bem pouco orgulhoso (sim: orgulhoso) da sua Direcção na casa que recebeu o nome dele. E estou em crer que o orgulho, como o conhecemos (não como você julga conhecê-lo), é coisa de que o grande vulto não se envergonharia. Se ressuscitar, que não me atraiçoe o poeta nesta crença. Ou, então, desisto do mundo.
Fecha o seu artigo com chave do pior metal, ao ensinar-nos que "precisamos de contar anedotas sobre brancos, pretos, judeus, muçulmanos, gays, machos, mulheres, loiras, morenas, católicos, papas, padres, rabinos, alentejanos, açorianos, portuenses, lisboetas, o que for. Para ver se somos gente normal. Ou se só copiamos os estereótipos politicamente correctos". Fale por si. Ou nem fale. Que isto de "normal" há muito que tem que se lhe diga. E antes o "politicamente correcto" que o "profissionalmente incauto", como bem nos demonstrou que é.
Que o Francisco é muito sorridente já a gente tinha dado por ela. Que precise de pessoas por si assim apelidadas para se divertir e para que o sorriso se lhe crave duradouramente na face é que custa. Vai ver, ainda alguém lhe oferece, à maneira de algumas organizações norte-americanas que se debatem com palavras como as suas, o título de "homossexual honorário". Porque trazer o seu orgulho até nós seria tudo menos "histérico". Apenas uma lição de convívio com as "distracções" que todos os dias, em muitas horas, em muitos lugares nos assomam e às vezes nos matam. Inclusive as distracções da comunicação social. Na qual tem responsabilidades, querido Francisco.
Nuno Santos Carneiro
Psicólogo e Activista LGBT

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quinta-feira, novembro 29, 2007

PANTERAS CONTRA PATOLOGIZAÇÃO DAS IDENTIDADES TR@NS


Ontem e no passado domingo, as Panteras Rosa realizaram uma acção no Congresso Europeu de Medicina Sexual, que se realizou em Lisboa, contra a classificação, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), da transexualidade e do transgenderismo como patologias mentais, “Transtornos de Identidade de Género”, na classificação Internacional das Doenças (ICD-10) e no DSM-IV, contra a normatividade de género e pela melhoria do apoio médico aos processos de transição trans nos serviços nacionais de Saúde.
Envergando tshirts com slogans alusivos, vestidas de "médicos disfóricos" e munidos de "certificados de transfobia" destinados a serem entregues a alguns participantes do Congresso, psiquiatras com discursos claramente transfóbicos, as Panteras distribuíram um comunicado (ler abaixo) à maioria dos participantes do mesmo. O comunicado e a acção felina obtiveram um impacto muito claro no ESSM, recebendo ora reacções declaradamente hostis de médicos favoráveis à patologização, ora um número muito satisfatório de reações positivas de médicos, desde psiquiatras a sexólogos de variadíssimos países, que exprimiram a sua aprovação e levaram para as próprias conferências do evento o debate sobre a matéria.

Também em Madrid (clica para ver vídeo) e na Corunha (Galiza), o Bloque Alternativo Pela Libertação Sexual (integrado pelas Panteras Rosa de Portugal) e o colectivo galego Maribolleras Precarias (um dos colectivos das redes radicais lgbt queer que temos ajudado a organizar e colocar em contacto a nível europeu, nomeadamente a rede INTERTRANS, criada para lutar pela causa da despatologização), organizaram esta semana acções com objectivos comuns aos que nos levaram ao ESSM.








COMUNICADO DISTRIBUÍDO NA ACÇÃO:
CONTRA O DIAGNÓSTICO de “TRANSTORNO DE IDENTIDADE DE GÉNERO” na IC-10 e no DSM-IV

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a transexualidade e o transgenderismo patologias mentais, classificando-os como “Transtornos de Identidade de Género” na classificação Internacional das Doenças (ICD-10) e no DSM-IV.
Agora que a Classificação Internacional das Doenças está a ser revista, exigimos que seja retirado o “Transtorno da identidade de género” deste manual, assim como a homossexualidade deixou de ser considerada uma doença por esta classificação nos anos 90.
O posicionamento da comunidade médica pela desclassificação do "Transtorno da identidade de género" é fundamental.

SER UMA PESSOA TRANS NÃO É UMA DOENÇA
As pessoas tr@ns sofrem não por serem tr@ns, mas devido à transfobia!
Uma sociedade que obriga @s tr@ns a serem diagnosticados como “disfóricos” é uma sociedade transfóbica.

@s tr@ns são capazes elas/eles mesmas/os de decidir se necessitam de apoio psicológico ou não.
@s tr@ns são capazes elas/eles mesmas/os de decidir se querem tomar hormonas ou não.
@s tr@ns são capazes elas/eles mesmas/os de decidir se
querem fazer cirurgias ou não.

Em Portugal, as pessoas tr@ns para obter a alteração do nome e do sexo nos documentos oficiais são obrigadas a passar por longos processos de transição, orquestrados pelos psiquiatras que avaliam a sua identidade de género. Depois de todo este processo, é ainda a Ordem dos Médicos que decide o acesso ou não à cirurgia.
Isto provoca a precaridade no emprego, na habitação e em toda a vida social d@s tr@ns, provoca a descriminação e marginalização.

OS PSIQUIATRAS TORNARAM-SE OS POLÍCIAS DA IDENTIDADE DE GÉNERO.
São os psiquiatras que decidem o que é“ser mulher”e o que é “ser homem”. A diversidade de identidades é infinita e não pode ser encaixada num modelo homem/mulher.
Os médicos têm um poder absoluto sobre a vida d@s tr@ns.
Declaram @s tr@ns “ disfóricos” de género e roubam-lhes a dignidade e o controlo sobre as suas próprias vidas. Um dos exemplos da violação dos direitos fundamentais das pessoas tr@ns é a obrigatoriedade de esterilização dos tr@ns masculinos que não desejam o processo cirúrgico genital, por forma a poderem alterar os seus documentos.

As pressões de género afectam-nos a tod@s, determinam como nos devemos comportar e relacionar, aprisionando-nos em identidades normatizadas, limitadas e preconceituosas.
Esta é uma luta que nos implica a todo@s, não é exclusivamente tr@ns.

Pela obtenção rápida da mudança de nome e de género em todos os documentos de identificação, fora da tutela psiquiátrica.
Pela obtenção de hormonas, fora da tutela psiquiátrica.
Pelo acesso às cirurgias fora da tutela psiquiátrica.
Contra a obrigação de as pessoas tr@ns terem que ser operadas, psiquiatrizadas e hormonadas para terem acesso à alteração dos seus documentos, pois isto é uma violação dos direitos e liberdades fundamentais.

Exigimos um sistema de saúde pública que respeite os processos de transição tr@ns, sem moralizar nem limitar a construção das identidades e dos corpos.
Exigimos que o sistema nacional de saúde apoie os processos de transição tr@ns, pois estes são necessários para o bem-estar bio-psico-social, e este é o conceito actual de saúde da OMS.

Por uma medicina que garanta o bem-estar físico, emocional e social das pessoas tr@ns e não uma medicina que decide em seu lugar, as psiquiatriza, precariza e discrimina.

Panteras Rosa Portugal, Novembro de 2007

ENGLISH VERSION:

Against “Gender Identity Disorder” diagnosis in ICD-10 and DSM-IV

The World Health Organization (WHO) considers transexuality and transgenderism as mental pathologies, classifying them as “Gender Identity Disorders” in the International Disease Classification (IC-10) and in DSM-IV.
Now that the International Disease Classification is been revised, we demand that the “Gender Identity Disorder” is removed from this manual, the same way homosexuality stopped being considered as a disease by this classification in the 90’s.

The position of the medical community for the declassification of “gender Identity Disorder” as a mental pathology is fundamental.

To be a trans person is not a disease.
Trans people suffer, not for being trans, but due to transphobia!
A society that forces trans people to be diagnosed as “dysphoric” is a transphobic society.

Trans are able to decide for themselves if they need psychological support or not.
Trans are able to decide for themselves if they want to take hormones or not.
Trans are able to decide for themselves if they want to submit to surgery or not.

In Portugal, in order to obtain the name and gender change in legal documents, trans people are forced to submit to long transition processes, controlled by psychiatrists who evaluate their gender identity. Yet, in the end of this process, the access (or not) to surgery is decided by the Physician Order (Ordem dos Médicos).
This situation causes precarity at the working, housing, and all the social life of trans people, causing discrimination and marginalization.

Psychiatrists became the gender identity police.
Psychiatrists are those deciding what it is “to be a woman” and what it is “to be a man”. Identity diversity is endless, and cannot be limited to a woman/man model.
Physicians have an absolute power over trans lives.
They declare trans as gender “dysphoric” and steal them the dignity and the control over their own life. One example of the violation of trans people fundamental rights is their compulsory sterilization in order to change their documents.

Gender coercion affects all of us, when they order how we should behave and relate, imprisoning us in normatized, limited and prejudiced identities.
This is a struggle implicating all of us, it is not exclusively trans.

For the fast name and gender change in all identity documents, outside the psychiatrist guardianship.

For hormonal prescription outside the psychiatrist guardianship.
For surgery access outside the psychiatrist guardianship.

Against the obligation of trans people to be operated, psychiatrized and hormonated to have access to their document change, because this is a violation of their fundamental rights and liberties.

We demand a National Health System that respects trans transition processes, without moralize, nor limit identity and body construction.
We demand that the National Health System supports trans transition processes, since they are needed to the bio-psycho-social welfare of trans people, and this is the actual health WHO concept.

For a medicine promoting the physical, emotional and social tans people welfare, and not a medicine that, instead, decides for them, psychiatrize them, precarizes them, discriminates them.

Portugal, November of 2007

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Praxes: maçã com bicho homofóbico

E se sobre a recorrência das humilhações homofóbicas na cultura praxista ainda alguém tinha dúvidas, topem-se as fotos neste link.
http://jpesperanca.blogspot.com/2007/10/praxe.html

sábado, novembro 24, 2007

TAGUS REFORMULA MAS NÃO ENTENDE

Divulgamos abaixo carta enviada ontem a vários colectivos LGBT pelo grupo Sumol, segundo a qual este se prepara para reformular a campanha da TAGUS.
Com efeito, hoje de manhã, o website da campanha da Tagus,
http://www.orgulhohetero.com/ não se encontrava on-line.
A resposta do responsável do grupo Sumol, porém, ao incluir a afirmação de que "Todas as orientações sexuais são legítimas devendo, desejavelmente, ser assumidas com orgulho." (ponto 3), faz-nos temer pela dita reformulação e exige que permaneçamos atentos/as, pois demonstra que a campanha é retirada pelo impacto negativo criado, mas sem que os responsáveis tenham entendido o essencial do nosso protesto:

1 - a orientação sexual não é nem deve ser motivo de orgulho, e o orgulho LGBT é uma afirmação emancipadora de uma comunidade discriminada, não se referindo a uma orientação sexual, mas à recusa da invisibilidade destas realidades não-aceites pela norma moral dominante;

2 - O orgulho numa orientação sexual, maioritária e hegemónica - a heterossexualidade -, é o sentimento por detrás da perseguição homofóbica, lesbofóbica, bifóbica que continua a caracterizar a sociedade portuguesa, apesar dos avanços dos últimos anos.
Mais acrescentamos que o problema deste género de publicidade não se resume à campanha que aqui contestámos nem à homofobia. As campanhas publicitárias da TAGUS - e de outras marcas de cerveja - têm sido marcadas por um cunho sexista e/ou exploratório dos sentimentos machistas ainda maioritários na população portuguesa, explorando ao limite a utilização de imagens da mulher como mero objecto sexual, e os sentimentos de masculinidade exacerbada, do que é exemplo a imagem que aqui publicamos, simultaneamente sexista e indirectamente homofóbica.
Reafirmamos o nosso compromisso de combate a todas as discriminações, e o nosso empenho na vigilância e condenação de todas as estratégias publicitárias que, abordando estas temáticas, inescrupulosamente explorem tais sentimentos ao invés de contribuírem para a sua erradicação.

"23/11/2007 COMUNICADO grupo sumol

Na sequência de algumas questões que nos foram colocadas relativas à Campanha “Tu És Hetero?” cabe-nos esclarecer os seguintes pontos:

1- Esta Campanha não pretendia defender ou atacar nenhuma causa concreta. A mesma deveria ser entendida tendo em linha de conta oposicionamento irreverente da marca.

2- O objectivo foi criar uma Campanha que surpreendesse pela originalidade da abordagem, mas sem quaisquer preconceitos, sempre numaperspectiva positiva e respeitando as orientações de cada um.

3- Prezamos e respeitamos as liberdades individuais e a diversidade, entendendo que as orientações sexuais só ao próprio indivíduo dizem respeito, não devendo ser objecto de juízos de valor ou discriminação. Todas as orientações sexuais são legítimas devendo, desejavelmente, ser assumidas com orgulho.

4- Não obstante o atrás referido, face a algumas manifestações recebidas, considerámos oportuno reformular os termos em que a Campanha esteve presente. Na expectativa de que este comunicado possa ter esclarecido algumas das dúvidas suscitadas pela Campanha, estamos disponíveis para prestar esclarecimentos adicionais que entendam úteis."

João Nuno Pinto - Grupo Sumol"

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sexta-feira, novembro 23, 2007

Orgulho nos Direitos Humanos

Entendamo-nos:

- O movimento LGBT nunca falou em orgulho de uma orientação sexual. Orgulho LGBT não significa orgulho numa orientação sexual, sempre significou, sim, a recusa da vergonha e da invisibilidade por parte das pessoas a quem ela foi sempre imposta em nome da exclusiva legitimidade da heterossexualidade.
Não esqueçamos que ainda há 10 anos, em Portugal, nem sequer se falava de homossexualidade, e que esta só foi descriminalizada entre nós em 1982. Sim, muito mudou em 10 anos. Mas não, não tanto assim.

- A campanha da Tagus aborda, precisamente, uma orientação sexual como motivo de orgulho. A nossa contra-campanha limita-se a lembrar o que é o orgulho hetero no seu extremo: violência e discriminação contra as sexualidades que fogem a essa norma moral.

- Ora precisamente, orgulho hetero é o que temos todos os dias, e afirma-se a todo o momento sem necessitar sequer de ser afirmado, porque é hegemónico e legitimado socialmente, por oposição à menorização e discriminação das restantes sexualidades. É isso que faz do orgulho hetero um sistema político na sociedade actual, e o padrão pelo qual continuamos ainda a ser educados e nos tentam formatar desde pequenos.

- É precisamente porque a orientação sexual não é motivo de orgulho para ninguém, que ela também não pode ser motivo de discriminação ou perseguição. Como a identidade de género, tratam-se de características pessoais que não escolhemos nem nos resumem, mas que são parte inalienável do que somos.

- O que não é aceitável é que alguma publicidade continue a considerar legítimo, com base na crença da grande consensualidade que a homofobia ainda encontra na sociedade portuguesa, que é legítimo fazer dinheiro à custa da promoção de um sentimento - orgulho hetero - que não é mais senão o sentimento de superioridade da heterossexualidade sobre as restantes sexualidades.

Não é por acaso que Tagus não explora outros sentimentos de orgulho discriminatórios, como os raciais, com uma campanha de "orgulho branco", mas o princípio serias exactamente o mesmo - o de promover um orgulho opressivo de um grupo dominante, discriminando naturalmente um grupo que é alvo dessa opressão e desapossado não do seu orgulho, mas da sua própria dignididade enquanto pessoas, porque assim funciona a discriminação. A Tagus escolhe o orgulho hetero, porque a homofobia ainda goza no discurso público, em grande medida, ao contrário de outras discriminações, dessa consensualidade.

O que não seria aceitável era deixar passar em branco uma afirmação de orgulho hetero, como se as palavras não tivessem valor nem conteúdo, e ninguém lembrasse que orgulho hetero não é outra coisa, na verdade, senão a discriminação, a perseguição e a violência sobre milhares de pessoas LGBT em todo o mundo.
Portanto, não nos venham mais perguntar "se há orgulho gay porque não pode haver orgulho hetero?" Porque, meus amores, as pessoas lgbt é que foram perseguidas durante 2 mil anos, e ainda o são, pela sua orientação sexual ou identidade de género, em nome da verdade única da heterossexualidade.
Mas sobretudo porque não é a orientação sexual que é motivo de orgulho. Motivo de orgulho é o facto de lutarmos pelo direito a vivermos com a que temos numa sociedade que nos nega esse mesmo direito a sermo-nos como somos, independentemente da nossa orientação sexual. É esse o nosso orgulho. É isso o Orgulho Gay, Lésbico, Bi e Trans.

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quarta-feira, novembro 21, 2007

PANTERAS ROSA APOIAM CERVEJA TAGUS

O movimento Panteras Rosa apoia a campanha da cerveja TAGUS para a juventude hetero, lançada hoje em http://www.orgulhohetero.com/ .
Aqui lançamos uma campanha paralela de complemento à mesma, com um apelo à imaginação.










Para usar e difundir!
















DESENVOLVIMENTOS EM
www.orgulhohetero.org
www.orgulhohetero.net































































ORGULHO LÉSBICO, GAY, BI, TRANS, QUEER


Orgulho de Quê?
Nós, lésbicas, gays, bisexuais, transgéneros (LGBT) e outr@s rebeldes sexuais, temos orgulho de enfrentar as consequências de não escondermos a nossa identidade sexual ou de género. Temos orgulho de termos sobrevivido à nossa orientação sexual ou identidade de género fora da norma numa sociedade que nos condena ao silêncio e à vergonha (muit@s não sobreviveram). Nas nossas marchas, celebramos o orgulho de quem recusa a carga moral de culpabilidade que nos é imposta, quando seria tão fácil continuarmos a esconder os nossos desejos e apenas fingirmos “ser normais”.

















Não estamos orgulhosos da nossa orientação sexual, deixamos isso – e quaisquer definições de “normalidade” – para heterossexuais homofóbicos. Temos orgulho, sim, de escolhermos vivê-la, mesmo quando isso faz de nós alvos de discriminação e violência. Temos orgulho por oposição à vergonha. Temos orgulho nas lutas de longo prazo que tant@s travaram e travam contra a criminalização ou medicalização das nossas identidades e pela construção árdua dos nossos movimentos sociais.


Temos orgulho na força, no esforço, nos sacrifícios que tantas pessoas LGBT assumiram ao longo da História para sair do armário e exigir dignidade. Temos orgulho na imensa variedade das nossas expressões e formas de expressão. O orgulho LGBT é necessário como o “black is beautiful” foi necessário nos anos 60 norte-americanos: como então, muit@s de nós continuamos a sentir culpa, vergonha e auto-depreciação por aquilo que somos. Sem orgulho, as novas gerações LGBT em tantos países estariam condenadas à mesma existência clandestina que os seus predecessores combateram. No processo da sua auto-descoberta, muitas gerações têm tido, pela primeira vez, a possibilidade de crescerem como LGBT com referências positivas do que isso significa, e com menos referências negativas.

Nenhum outro motivo senão Orgulho motivou a histórica revolta de Stonewall - na origem do actual movimento lgbt -, quando o desejo de dignidade se traduziu em resistência à violência policial. Quando a nossa vida pessoal condiciona os nossos direitos cívicos, deixa de ser “privada” e torna-se “política”. E precisamos de ser visíveis hoje para que amanhã não tenhamos necessidade disso, quando as pessoas deixarem de ser definidas com base na sua identidade sexual ou de género.

“Dar a cara” continua, infelizmente, a ter consequências negativas. Mas é mesmo por isso que é preciso que cada vez mais gente saia do armário ou, pelo menos, se envolva com o associativismo LGBT: para inverter essa situação injusta. Para que um dia “dar a cara” seja tão natural como lavar os dentes e seja tão banal que não acarrete discriminação.

A homofobia é um sistema político na sociedade que temos.
Orgulho e activismo, armas contra a violência homofóbica e transfóbica e a sua promoção!
ORGULHO É PROTESTO!

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quarta-feira, novembro 14, 2007

Processos Trans no SNS - Mobilização em Madrid

A reforçar as ideias do post anterior, divulgamos a mobilização do próximo dia 16 em Madrid, da parte de activistas trans e do Bloque Alternativo Pela Libertação Sexual - parceiro privilegiado das Panteras na capital vizinha - pela inclusão e comparticipação dos processos de transição de trans no serviço público de Saúde, coisa que nós temos, mas eles/as não têm.

Assim se vêem, agora, nas promessas não-cumpridas como esta, as limitações do jogo eleitoralista do P.S.O.E. e da sua apropriação, no Estado Espanhol, das reivindicações do movimento LGBT+. Quem ande atent@ já, reparou, aliás, que o namoro entre algumas associações LGBT madrilenas de carácter institucional - como a COGAM e a Transexualia - e o Partido Socialista Espanhol, já terminou, e que o tempo é, também para estes colectivos, de luta e de protesto.


Voltando aos colectivos mais radicalizados, são os mesmos movimentos que estão a lutar pela causa da despsiquiatrização da transexualidade, os que se estão a mobilizar por esta causa da inclusão no sistema público de saúde, provando assim que ambas as reivindicações caminham juntas: a desmedicalização e o apoio estatal aos processos de transição.


"16 de NOVIEMBRE: DIA DE LUCHA TRANS:

CONCENTRACIÓN + PITADA POR LOS DERECHOS SANITARIOS DE LAS PERSONAS TRANSEXUALES.

EL VIERNES 16 A LAS 19.45, TODAS A FERRAZ!

BASTA DE ENGAÑOS Y MENTIRAS. NUESTRA SALUD ESTÁ EN JUEGO.
LOS DERECHOS TRANS SON LOS DERECHOS DE
TOD@S

Con este texto queremos hacer un llamamiento a la movilización por los derechos sanitarios de las personas transexuales el próximo 16 de noviembre.

Tras las elecciones generales de 2004 algunas asociaciones de transexuales iniciamos un proceso de negociación con el actual Gobierno en demanda de la la inclusión del tratamiento sanitario de la transexualidad en el Catálogo de Prestaciones del Sistema Nacional de Salud, recogido en el Programa Electoral del partido socialista (página 32). Ya en el comienzo de los contactos el Gobierno mostró claramente una postura contraria a tramitar el compromiso, llegando incluso a ocultarnos el informe sobre transexualidad elaborado en 2002 por la Agencia de Evaluación de Tecnologías Sanitarias del Instituto de Salud Carlos III, favorable a la inclusión del tratamiento integral ( "se ha extraviado, no lo encontramos" apuntaban). Durante toda la legislatura las zancadillas por parte del Gobierno y del partido "socialista" para obstaculizar cualquier avance en esta materia han sido múltiples y constantes.

Al reactivarse la "negociación" por diversas iniciativas del movimiento asociativo trans, el Ministerio de Sanidad propone una solución parcial consistente en la designación de un o varios Centros de Referencia Estatal, que centralizarían la prestación sanitaria trans. Esta propuesta discriminaria a las personas transexuales que viven en localidades alejadas de los pocos centros de referencia que se designen. La solución que el colectivo demanda consiste en acercar la atención primaria a los centros de salud correspondientes al domicilio de los solicitantes, que de hecho ya se realiza en la práctica, pero de manera no oficial, con las consecuentes carencias y dificultades.

Especialmente llamativa sería la discriminación que supondría esta "oferta" para las personas que sufren precariedad económica y no pueden afrontar los enormes gastos que supone el traslado y la estancia de varios días en el Centro de referencia.

Esta situación de discriminación ha tenido y está teniendo dolorosas consecuencias para las personas transexuales que optan por el autotratamiento, con el peligro de sufrir graves consecuencias para su salud (subidas de prolactina, tumores en la hipófisis, inyecciones de silicona líquida que en el peor de los casos se saldan con la muerte, etc…)

Por otra parte el movimiento LGTB oficialista en connivencia con las servidumbres contraidas con el Gobierno socialista confunden a la opinión pública al aplaudir la propuesta de Sanidad como la solución acertada.

Consideramos inadmisible esta situación y como personas y colectivos que nos sentimos cercanos a los derechos de las personas transexuales, os animamos a que el próximo 16 de noviembre apoyeis y dinamiceís la concentración frente a la sede del PSOE en Madrid al objeto de visualizar estos hechos y contribuir al cambio de posturas.

Bloque Alternativo de Liberación Sexual de Madrid"

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Observatório Homofobia/Transfobia na Saúde @ Médicos Pela Escolha
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