sexta-feira, setembro 24, 2010

No centro do império também se luta...


... e não é por poder entrar no exército do Império!

Queers Against Obama

terça-feira, setembro 21, 2010

PORQUE É QUE O 'QUEER LISBOA' TEM HOJE UM ESPAÇO EM BRANCO NA PROGRAMAÇÃO?


John Greyson retira o seu filme do Queer Lisboa 14
COMUNICADO À IMPRENSA Na sexta-feira 17 de Setembro, dia da inauguração do festival de cinema Queer Lisboa 14, um grupo de activistas manifestou-se frente ao cinema São Jorge contra o facto de este festival ter aceitado um apoio da embaixada israelita. Desde 2005, Israel encontra-se sob uma campanha internacional de boicote, à imagem do que aconteceu com a África do Sul no tempo do apartheid. Os êxitos desta campanha são numerosos, sendo um dos mais recentes a decisão do ministro dos Negócios Estrangeiros dos Países Baixos de cancelar a visita de uma delegação de autarcas israelitas, depois de ter descoberto que essa delegação integrava autarcas de vários colonatos da Cisjordânia. As organizações promotoras* desta acção de protesto reuniram-se com os organizadores do festival, não conseguindo convencê-los a devolver o apoio recebido, como têm feito outros festivais de cinema em vários países. A aceitação do patrocínio de um Estado de ocupação colonial visado pela campanha BDS – Boicote-Desinvestimento-Sanções - é uma atitude política que torna a direcção do festival cúmplice do apartheid israelita. Ao tomar conhecimento deste facto, o realizador canadiano John Greyson, distinguido no festival do ano passado com o prémio do melhor documentário, retirou o seu novo filme, que deveria ser exibido hoje no âmbito do festival. Abaixo, segue a carta (traduzida por nós) que Greyson enviou à direcção do Queer Lisboa 14, na pessoa do seu presidente.
*Comité de Solidariedade com a Palestina - UMAR, União Mulheres Alternativa e Resposta - SOS Racismo - Panteras Rosa, Frente de Combate à LesBiGayTransfobia - Pobreza Zero – GCAP - Portugal Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque - Colectivo Múmia Abu Jamal - Ass. Amizade Portugal-Sahara Ocidental

"Caro João escrevi-te há uns dias, manifestando as minhas preocupações sobre o financiamento que o vosso excelente festival Queer Lisboa recebe da Embaixada israelita (bilhete de avião, envio de material impresso, etc.). Como sublinharam activistas queer, tanto palestinianos como portugueses, este financiamento viola o apelo de 2005 da sociedade civil palestiniana, que pede aos artistas e académicos para boicotarem o Estado israelita, em protesto contra a ocupação que prossegue. Respondeste-me (e aprecio o teu esforço, sabendo como certamente estás ocupado!), que este financiamento é usado apenas para apoiar a participação de realizadores de filmes israelitas no vosso festival - não é usado para turismo ou branqueamento, ou para promover de qualquer modo o Estado israelita. E no entanto ... não é precisamente isso que a PACBI (Palestinian Academic and Cultural Boycott of Israel) identifica como a cortina de fumo da "normalização", a ilusão do business-as-usual -- intercâmbio cultural "inocente" com o Estado israelita como forma de desviar as atenções da sua guerra em Gaza, do seu massacre da flotilha, da sua construção de novos colonatos? Receamos que o Estado israelita continue a proceder como um energúmeno pária, ignorando toda a pressão internacional, enquanto um intercâmbio cultural desse tipo continuar a recompensá-lo, emprestando-lhe verniz à sua alegação de ser um Estado pró-queer. Dizes tu que simpatizas com as questões levantadas - e, na verdade o Queer Lisboa é a justo título reconhecido como um dos mais respeitados festivais queer do mundo, com a vossa notável programação passada e presente a atestar a vossa esclarecida visão do cinema queer, que destaca as nossas diversas vozes, as lutas globais e as aspirações de activistas. Dizes que não há tempo para tratar agora desta questão - que a tua equipa se debruçará sobre ela uma vez que tiver acabado o festival deste ano. E, no entanto (embora eu possa certamente imaginar as circunstâncias específicas que vocês vivem), parece-me que do ponto de vista logístico é possível recusar HOJE o patrocínio da Embaixada israelita e encontrar uma fonte alternativa para pagar ainda o bilhete de avião em causa (Tel-Aviv-Lisboa, ida e volta, anda pelos 600 dólares). Podemos trabalhar juntos para encontrar uma solução. Lembra-te que ninguém te pediu para cancelares a presença do filme ou do realizador - exactamente o contrário. O que te pedimos para cancelares é o financiamento do próprio Estado israelita. Isto é o que Ken Loach pediu ao Festival de Edimburgo em 2007, quando soube que eles tinham aceitado 33 libras do consulado israelita. Depois da devida ponderação, o festival concordou com ele e recusou o financiamento, encontrando outras fontes para cobrir os custos e alojar os seus realizadores israelitas. Não poderás tu fazer a mesma coisa? Eu senti-me muito honrado quando o meu filme Fig Trees recebeu o prémio para o melhor documentário no ano passado. Senti-me muito honrado quando vocês escolheram o meu filme Covered para o vosso festival deste ano. E contudo, não posso em boa consciência participar de um festival que (passivamente) ajude a branquear o Estado israelita, mesmo que indirectamente. Se para vocês não é possível recusarem este financiamento da Embaixada, então é com grande tristeza que tenho de retirar o filme Covered do vosso festival. Este último ano foi palco de uma notável vaga de solidariedade queer para com a Palestina. Activistas queer como Judith Butler, Zackie Achmat, Sarah Shulman e Haneen Maikey pronunciaram-se, juntando as suas vozes às de grupos em Madrid, São Francisco, Toronto, Israel, na Margem Ocidental e agora em Lisboa, todos eles levando a cabo acções em apoio ao movimento de base BDS (boicote, desinvestimento e sanções), que é cada vez mais visto como a nossa maior oportunidade de contribuir para uma paz justa e duradoura na região. Junto com muitos outros, eu tenho a firme convicção de que nós, realizadores queer (e festivais queer) temos de cerrar fileiras e responder ao apelo dos nossos irmãos e irmãs da Palestina, protestando contra a violência de uma ocupação que atinge toda a gente, sejam gays ou heteros. Recusem o financiamento. Façam passar o chapéu para cobrir o preço do bilhete. Juntem-se a nós. Sinceramente, John Greyson"

sexta-feira, setembro 17, 2010

Não à associação do Queer Lisboa com o criminoso apartheid israelita!

TOD@S CONTRA O APOIO DA EMBAIXADA ISRAELITA!

Inicia-se na próxima 6ª feira a 14ª edição do Queer Lis
boa, Festival de Cinema emanado do movimento LGBT (lésbico, gay, bissexual e transgénero) e da sua mobilização contra as discriminações em função da orientação sexual e da identidade de género em Portugal, logo, merecedor do nosso apreço e da nossa solidariedade.

Nesta edição, porém, tal como nos últimos três anos e apesar de alertas que já lhe foram dirigidos no ano passado,o Festival propõe-se receber apoio financeiro e institucional da embaixada israelita em Lisboa.

Este apoio não é inocente. Corresponde ao que tem sido o comportamento da representação de Israel noutros países relativamente ao tema LGBT, denunciado pelos próprios movimentos LGBT em Israel como uma política coordenada para transmitir internacionalmente a ideia de que Israel é um oásis de tolerância no que toca aos direitos LGBT, e uma nação respeitadora dos Direitos Humanos e do direito internacional, ocultando assim a ocupação da Palestina e as sistemáticas violações dos direitos dos palestinianos.

Assim, um conjunto de colectivos - LGBT, feministas, anti-racistas, pela paz no Médio Oriente e outros -, em coordenação internacional com colectivos e activistas congéneres israelitas, palestinianos, do Estado espanhol, canadianos, norte-americanos ou italianos, entre outros,

decidiu convocar uma

Concentração frente ao cinema São Jorge, Avª da Liberdade, Lisboa

6ª feira, 17 de Setembro, 20h30

divulguem e compareçam!

Não à associação do Queer Lisboa com o criminoso apartheid israelita!

Pela rejeição imediata do apoio da embaixada israelita pelo Festival!

Queer Lisboa will not be associated with Israel’s criminal apartheid!

We immediately reject the Israeli embassy's support of the Festival!

On September 17-25 the 14th edition of Queer Lisboa will take place in the city of Lisbon. As the Cinema Festival was born from the LGBT (lesbian, gay, bisexual and transgender) movement and its mobilization against discrimination based on sexual orientation or gender identity in Portugal, it is a venue worthy of our appreciation and solidarity. Presently, however, as has been the case for the last three years, the Festival is about to receive both financial and institutional support from the Israeli embassy in Lisbon.

There is no innocence in this support. It corresponds to Israel’s representation of itself to other countries regarding LGBT issues, which has been denounced by Israeli LGBT movements as a coordinated policy to project a global image of Israel as an oasis of tolerance for LGBT rights, a nation respectful of Human Rights and international law, and therefore concealing the occupation of Palestine and the systematic violations of the rights of the Palestinians.

We recognize the hard-won victories of the LGBT community in Israel in recent years, as well as the deeply repressive attitudes towards homosexuality in some other countries of the Middle East. Nonetheless, Israel’s exploitative use of the LGBT campaign undermines the advances also made by LGBT activists in Arab countries and their ongoing struggle, while also denying that structural homophobia continues to exist in large parts of Israeli society and refusing the most basic human rights to the Palestinian population of the occupied territories, regardless of sexual orientation.

We must not forget that there can be no meaningful freedom of gender or sexuality when one is discriminated against on the basis of ethnic background, forced to live in closed bantustans under military occupation, surrounded by walls of shame, deprived of basic necessities, while subjected to military checkpoints, house demolitions and bombings.

These systematic violations of Human Rights are the reason that Israel is the subject of a global campaign for Boycott, Divestment and Sanctions, similar to that imposed on apartheid-era South Africa. Last July the international community expressed indignation over the Israeli army’s attack on a Turkish ship carrying humanitarian aid for the Gaza Strip, in which nine unarmed activists were murdered; this attack reinforced the need for mobilization on the boycott campaign and to insure its growing success.

The LGBT movement in several countries has now responded to the appeal made by a number of Palestinian, Israeli and worldwide intellectuals and artists for the implementation of an international cultural boycott against this state and its criminal policies. In Madrid’s Pride March this year, the organization decided to ban Israeli sponsorship, while the most recent edition of the LGBT Cinema Festival in Toronto, Canada, refused, for the first time, the support of the Israeli embassy. In another example the Cinema Festival of Edinburg refused the local embassy’s support and returned the sponsorship money. Queer Lisboa 2010 must act likewise by immediately dissociating itself from this embassy's support and immediately returning Israel’s apartheid money!

Lista parcial e provisória de apoios:

Portugal:
Comité Palestina
UMAR - União Mulheres Alternativa e Resposta
SOS Racismo
Panteras Rosa - Frente de Combate à LesBiGayTransfobia
Pobreza Zero - GCAP Portugal
Audiência Portuguesa do Tribunal Mundial sobre o Iraque
António Serzedelo- presidente e fundador da Opus Gay

Itália:
Antagonismogay (Bologna, IT)
Queers agains racism (Milan, IT)

Estado Espanhol:
Nabil Mansour (Barcelona) - Cantautor Palestiniano, nascido em Espanha e filho de refugiados Palestinianos
Prof. Agustín Velloso Santisteban (professor de História da Educação e de Educação Comparada, na UNED de Madrid
CSCA-Comité Solidaridad con la Causa Arabe
Coletivo TransGaliza
Oquenosaedacona (Galiza)
AsDuas (Galiza)
Queer Ekintza (Bilbao)
Laura Bugalho (activista transexual e anti-racista)
Maribolheras Precárias (Coruña)
rebelion.org
EHGAM (Federação colectivos LGBT País Basco)
Acera del Frente (colectivo queer - Madrid)

Canadá:
QuAIA - Queers Against Israeli Apartheid

John Greyson (cineasta canadiano e premiado na última edição do Queer Lisboa)

Médio Oriente/ Movimentos de Solidariedade Palestina:
PQBDS (Palestinian Queers for BDS)
Helem - Lebanese Protection for LGBT (Associação LGBT Líbano)
ASWAT (associação lésbica palestiniana em Israel)

Carta do cineasta queer canadiano John Greyson à direcção do Queer Lisboa/ Letter from John Greyson, cadanian cinema director, to Queer Lisboa:

"I'm writing today with grave concerns. I've just learned that your festival (which as you know, I respect immensely) has been receiving funding from your Israeli embassy for the past four years. Palestinian and Portuguese queer activists have spoken out, issuing an international call in support of the Palestinian BDS (Boycott Divestment Sanctions) campaign, asking that you refuse such sponsorship.

I was greatly honoured when my film Fig Trees was awarded your best documentary prize last year. I was greatly honoured when you chose to program my film Covered in your festival this year. However, I can't in good conscience be part of any festival that actively helps pinkwash the current Israeli state. In the wake of the Gaza war, the flotilla massacre, and this weeks statements by Netanyahu regarding the extension of illegal settlements, I strongly feel that we queer filmmakers (and queer festivals) must stand together and heed the call of our queer sisters and brothers in Palestine, protesting the violence of the occupation that hurts everyone, gay and straight alike.

Could you please clarify what funding you receive/have received from the Israeli Embassy in these past four years? And... if there is funding this year, I respectfully ask that you refuse it, in honour of the international boycott call, now five years old. If you go forward with such sponsorship, I can't in good conscience be part of your festival -- a decision that would deeply sadden me, given the tremendous support you've shown my work in past years.

Your programming past and present speaks to your enlightened vision of queer cinema, one that celebrates our diverse voices, global struggles and activist aspirations. Join Toronto, join Madrid, join a growing peaceful boycott movement that could help bring lasting peace to the region. It's time to heed the call.

Sincerely, John Greyson"

Leituras úteis:

- Denúncia do 'pinkwashing' pelo movimento LGBT israelita:Israeli GLBT Politics between Queerness and Homonationalism, por Aeyal Gross, académico e activista queer.

- Jasbir Puar, académica e feminista, sobre o 'pinkwashing' internacional por Israel: Israel's gay propaganda war

2 artigos sobre a perseguição do Estado de Israel ao activista gay israelita e judeu Ezra Nawi: His name is Ezra Nawi

Unlikely Ally for Residents of West Bank

- Apartheid Israel is no place for LGBT leisure tourism

- http://www.bdsmovement.net/ - Movimento Global de Boicote, Desinvestimento e Sanções pela Palestina

- http://pqbds.wordpress.com/2010/06/28/palestinian-queers-for-bds-call-upon-all-queer-groups-organizations-and-individuals-around-the-world-to-boycott-the-apartheid-state-of-israel/

- A case study in failure: the Israel lobby at Toronto Gay Pride

- Contestação queer à presença de grupo "sionista lgbt" no Fórum Social dos Estados Unidos (abaixo, imagem relacionada com este caso, de um
folheto de grupo sionista financiado pelo Governo de Israel em São Francisco, EUA)
- Queers Say NO Pinkwashing Apartheid (São Francisco, E.U.A.)

- Pinkwashing Israel

- Call on International Queer Filmmakers to Withdraw from TLVFest

- Campanha que levou à dissociação do Festival de Cinema LGBT de Toronto (Canadá) do apoio oferecido pela embaixada israelita local: Frameline



Observatório Homofobia/Transfobia na Saúde @ Médicos Pela Escolha
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