quinta-feira, junho 28, 2012

Panteras Rosa - Discurso do final da Marcha do Orgulho LGBT Lx 2012

Hoje, mais uma vez, marchou-se aqui. Marchámos pelo direito à não-discriminação, pelo direito à igualdade, pelo direito a ter direitos.

Marchámos pelo fim da imposição de um binarismo de género e de uma sexualidade normativa. Marchámos contra aqueles que chamam doença à diversidade, e que chamam terapia à coerção. Denunciamos a revisão do DSM, que pretende adicionar mais identidades trans* à sua categoria patologizante. Exigimos o fim da classificação da transexualidade e do intersexo como doenças, e o mesmo para as ditas parafilias, sempre que correspondam a expressões consensuais da sexualidade. Defendemos que seja permitido às pessoas trans* e intersexo decidir, por elas próprias, se querem fármacos e cirurgias, e que fármacos e cirurgias. Queremos o direito a poder adequar o nome e o sexo em todos os documentos oficiais sem que seja imposta uma avaliação psicológica ou médica. Reclamamos que a Ordem dos Médicos deixe de colocar-se como obstáculo às adequações de registo civil e às cirurgias genitais, e que as pessoas trans* possam ter apoio no acesso aos fármacos e às cirurgias. O Serviço Nacional de Saúde, actualmente ameaçado pelo desinvestimento, tem de poder garantir estes direitos básicos.

Vimos aqui afirmar o Orgulho Trans* e Intersexo, baseado na riqueza das experiências Trans e Intersexo, e reclamamos a plena liberdade de exercê-las. Reclamamos a história dos nossos corpos, as nossas vivências de divergência, e a originalidade de cada uma de nós. Se estamos fora das normas de género, é aqui que queremos ficar.

Denunciamos também os efeitos devastadores que esta crise, criada pelo neoliberalismo financeiro, tem sobre as minorias. Capitalismo, patriarcado e exploração são faces do mesmo sistema de privilégio e que empurram as minorias, sejam elas étnicas, sexuais, de género ou outras, para serem as primeiras a sentir os efeitos de políticas de austeridade. Somos as primeiras a perder os nossos empregos, ou a nem sequer ter acesso a um emprego. Pagamos esta crise com discriminação no trabalho, no acesso à habitação, na saúde, na justiça. E todos os dias, somos insultadas, humilhadas, batidas e mortas, inclusive dentro da nossa casa.

Por isso as lutas contra o neoliberalismo e as políticas de austeridade são também as nossas lutas e nelas continuaremos a participar; por isso pertencemos a uma enorme maioria em busca de mais justiça e duma vida digna e pacífica.

Aqui mais uma vez afirmamos que a homofobia e a transfobia matam, mas o silêncio também. Por isso não nos calamos. Não ficaremos silenciosas perante desigualdades. Não ficaremos silenciosas perante discriminação. Não ficaremos silenciosas perante injustiças. Não ficaremos silenciosas enquanto não atingirmos o nosso objectivo. E quanto mais nos tentarem calar, mais alto nos vão ouvir!

quarta-feira, junho 27, 2012

SLUTWALK - MARCHA DAS GALDÉRIAS em Lisboa e no Porto


Eventos no Facebook:
Porto - https://www.facebook.com/events/144376162364961/ 30 de Junho
Lisboa - https://www.facebook.com/events/246490168800406/ 1 de Julho

quarta-feira, junho 20, 2012

E depois da Marcha, a Festa


terça-feira, junho 05, 2012

segunda-feira, junho 04, 2012




Hedwig de John Cameron Mitchell no Espaço Nimas


O Festival de Cinema Queer Lisboa agenda uma sessão muito especial para este mês de Junho no Espaço Nimas, desta feita em colaboração com a organização da Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa 2012.

Na terça-feira, dia 5 de Junho, às 21h30, exibimos a longa-metragem Hedwig – A Origem do Amor (EUA, 2001, 95'), realizada por John Cameron Mitchell, um dos filmes seminais do chamado New Queer Cinema.
Para celebrar a revisitação deste clássico, exibido em cópia de 35mm, e em jeito de antecipação da Marcha do Orgulho LGBT, haverá música no foyer do Nimas e uma conversa após a projecção, com vários convidados. Adaptado da peça homónima da Broadway, Hedwig – A Origem do Amor conta a história de Hedwig, “drag queen” e vocalista de uma banda rock. A sua vida é protagonizada através das suas músicas, flashbacks e performances. Este rapaz de nome Hansel, nascido em Berlim Oriental, vai submeter-se a uma intervenção cirúrgica para mudar de sexo e, ao mesmo tempo, casar com um americano por quem se apaixona, ultrapassando assim o Muro da liberdade. Mais tarde, descobre que a operação foi mal sucedida e que o namorado a traiu, o que a deixa desesperada. Sentindo-se abandonada em pleno Kansas, decide formar uma banda rock, “The Angry Inch”, e procurar a origem do amor.
John Cameron Mitchell é escritor, realizador e actor. Famoso pela realização de filmes como Shortbus (2006) e o mais recente, Rabbit Hole (2010), foi como realizador e protagonista de Hedwig – A Origem do Amor que ganhou reconhecimento internacional tendo sido galardoado com o prémio de Melhor Realizador no Festival de Cinema de Sundance em 2001. Actualmente, John Cameron Mitchell tem percorrido os EUA com Mattachine, uma festa itinerante com o objectivo de difundir a cultura queer.
Os bilhetes têm o preço de 4 euros, com 50% de desconto para portadores do cartão Medeia.
Observatório Homofobia/Transfobia na Saúde @ Médicos Pela Escolha
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