sexta-feira, novembro 23, 2012

STOP PATOLOGIZAÇÃO TRANS - acção decorrida em Lisboa a 20 de Outubro de 2012


Vídeo da acção EXORCIZA A PATOLOGIZAÇÃO, Lisboa, 20 de Outubro de 2012

“ORAÇÃO DAS TRANS-TORNADAS
Em nome da Mãe solteira, da Trabalhadora do Sexo e do Espírito Livre, vos abençoo…

Atchim!

Dr. Sousa Martins, nosso amigo de todas as horas, que fosteis progressista e ‘maçon’, que agradeceríeis à divina providência não seres reconhecido pela diz-que-santa igreja, livrai-nos da corrosão democrática dos Policarpos e de não sairmos à rua, abençoai este nosso acto…

Atchim!

Dr. Sousa Martins, companheiro de todos os momentos, tanto os de alegria como os de sofrimento; guiai os nossos passos, os nossos pensamentos e acções contra o binarismo de género e a patologização de todas as identidades trans…

Atchim!

Senhora da Nazaré, vós que sois a Mãe de Misericórdia, consoladora dos aflitos, refúgio e advogada dos pecadores despudorados como nós, concedei-nos, Senhora de Nazaré, a graça que do Vosso Coração Imaculado e cheio de ternura, esperamos com toda a confiança, e afastai de nós o inculto psiquiatra e a transfobia…

Atchim!

Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus Vivo que sofrestes e morrestes na cruz para redimir os nossos muitíssimos e repetidos pecados, nós Vos pedimos, pela intercessão do bondoso Dr. Sousa Martins, livrai-nos da Ordem dos Médicos, de cirurgiões talhantes e outras polícias do Género, das esterilizações forçadas e das operações de intersexuais à nascença. Animadas pela confiança em Vós, assim nos prostramos aos vossos pés…

Atchim!

Dr. Sousa Martins, intercedei por nós junto da Senhora da Nazaré e rogai-lhe que saiba onde foram os preservativos gratuitos, as seringas descartáveis para troca e todo o Programa nacional de combate à Sida e Rogai-lhe também que descubra onde páram os 5 milhões de Euros que lhe eram destinados… livrai-nos da austeridade…

Atchim!

Dr. Sousa Martins, que preveníeis as doenças e contrariáveis as injustiças, sê o nosso porta-voz diante de espíritos menos iluminados, médicos ou cientistas, professores ou sacerdotes que ainda preguem ódio e discriminação, sê nosso advogado nas alturas diante dos governantes que desgovernam tudo, retirai-lhes o poder de destruir o Sistema Nacional de Saúde e de acabar com a prevenção das IST’s… livrai-nos do Paulo Macedo, do Passos, do Gaspar, e da Isilda Pegado e apesar dos seus actos intercede por eles se apanharem coisas infecciosas…

Atchim!

Sob a benção do médico dos pobres, protector dos aflitos… gozemos alegremente sob a protecção de Santo Latex e Santo Gel Aquoso, Santo Femidon, Santa Barreira Dental, Santa Luva de Latex e Santa Seringa Descartável…
Dr. Sousa Martins, intercedei por nós, Dai-nos a Identidade de Género no artº 13º da Constituição, Protegei transexuais, transgénero, intersexuais, trabalhadoras sexuais, todas as rebeldes de Género e demais não-normativas, TRANS-TORNADAS de raiva – de Género não – e tomadas de razão. Assim seja… 

Atchim!”

A Campanha Internacional Stop Trans Pathologization (Stop Patologização Trans – STP 2012)…
é uma campanha mundial pela despatologização das identidades trans. Os objectivos principais da campanha são a retirada da categoria “disforia de género” / “transtorno de identidade de género” dos catálogos de diagnóstico (DSM, da Associação Psiquiátrica Americana, e CID, da Organização Mundial de Saúde), nas suas próximas edições, previstas para 2013 e 2015, bem como a luta pelos direitos de saúde das pessoas trans. Para facilitar a garantia de um atendimento público de saúde específico às pessoas trans, a STP 2012 propõe a inclusão de uma menção não patologizante na CID-11.
Desde 2007, a Campanha STP 2012 convoca, sempre no mês de Outubro, um Dia Internacional de Acção pela Despatologização Trans, com manifestações simultâneas em diversas cidades do mundo. Em Outubro de 2011, grupos de activistas de 61 cidades na América Latina, América do Norte, Ásia, Europa e Oceania organizaram manifestações e outras acções no marco da convocatória da STP 2012. Actualmente, a Campanha conta com a adesão de mais de 300 grupos e redes de activistas em diferentes partes do mundo.
 
Promoveram esta acção e subscrevem a campanha STP2012 em Portugal:
Grupo Transexual Portugal, Panteras Rosa - Frente de Combate à Lesbigaytransfobia, GAT - Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA Pedro Santos (Lisboa), Portugalgay.pt, Opus Gay, SOS Racismo, UMAR - União Mulheres Alternativa e Resposta, Poly Portugal, não te prives – grupo de defesa dos direitos sexuais, Caleidoscópio LGTB
Link da Campanha Internacional: http://www.stp2012.info/
 

quinta-feira, novembro 22, 2012

Fim de Semana pelo Fim da Violência contra as Mulheres


http://fimdesemanapelofimdaviolenciacontraasmulheres.wordpress.com/

Dia 24 de Novembro
------------------------

Jardim em frente à Maternidade Alfredo da Costa (MAC)

11h| Conferência de imprensa da UMAR
Apresentação dos números da violência contra as mulheres.
Colocação de uma placa no jardim com o nome de algumas das mulheres assassinadas no contexto de violência doméstica, na cidade de Lisboa.

No espaço associativo MOB - Travessa da Queimada, 33, Bairro Alto - Lisboa

18h| Workshop de Defesa pessoal para mulheres com Sakura Mónica

22.30h | RITA RED SHOES

| DJ Miss Sara


Dia 25 de Novembro
-------------------------

15h | Marcha pelo Fim da Violência Contra as Mulheres |
Largo Camões - Martim Moniz

| Mercado Fusão Martim Moniz

| Orchidaceae Urban Tribal

| Teatro O Bando

| Dj SoulFlow


Organização: Rede 8 de Março

A "Rede 8 de Março" é constituída pelas seguintes associações/colectivos:

UMAR
Associação de Combate à Precariedade - Precári@s Inflexíveis
Panteras Rosa
SOS Racismo
Comunidária
Clube Safo

rede8marco@gmail.com



Texto Manifesto
-------------------------------------------------
24 e 25 de Novembro 2012
Fim-de-semana de ação
Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres

Nós mulheres que andamos nas ruas, que estamos nos locais de trabalho, em reuniões, em casa, nos cinemas, nos cafés… dizemos não ao assédio sexual, aos piropos, às insinuações, aos apalpões, ao stalking (perseguição continuada e invasão do espaço de privacidade), à chantagem. A banalização destes comportamentos, tolerados acriticamente pela sociedade e assumidos como supostos atos de amor, sedução ou paródia, na leveza de uma comédia de costumes, reflete a normalização da ideia da mulher enquanto ser que está aí para cumprir o seu papel, ser vista e avaliada, tocada. Recusamos esta forma de censura social e de limitação de movimento e de expressão. Estamos fartas de viver em perigo. A violação é uma forma de violência extrema e por isso rejeitamos qualquer tipo de atenuante na consideração deste crime. Reclamamos liberdade e o direito ao usufruto do espaço público.

Nós mulheres rejeitamos a exploração do nosso corpo e da nossa identidade presente na publicidade, montra voraz do capitalismo e do machismo. Muitos anúncios publicitários representam uma forma explícita de violência simbólica sobre as mulheres. Recusamos o puritanismo, é certo, mas também recusamos os estereótipos, a exploração, as ideias feitas que ditam medidas, gostos, comportamentos e promovem estigmas e discriminações. As pessoas não são mercadoria.

Nós mulheres exigimos que a Justiça atue melhor, mais rapidamente, com transparência e protegendo efetivamente as cidadãs de situações de risco. Em 2012, já 33 mulheres foram mortas pelas mãos dos seus maridos, companheiros, namorados e ex. A casa não pode ser um espaço de medo e opressão, bem como as relações e os laços familiares. Sabe-se que, na Europa, uma mulher é vítima de violência doméstica a cada 48 horas. Queremos viver livres e amar sem submissões, controlo ou violência. Não somos de ninguém, somos donas da nossa própria vida.

Nós mulheres imigrantes vivemos numa condição de extrema austeridade, porque resistimos à injustiça de uma cidadania diminuída, à discriminação e à segregação. Dizemos basta à exploração e ao tráfico. Queremos ser cidadãs de pleno direito.

Nós mulheres lésbicas queremos viver a nossa sexualidade em liberdade e em todos os espaço da esfera social e politica. A sociedade moralista tem limitado a emancipação das mulheres também no que se refere à vivência da sua sexualidade, impedindo-as de manifestarem abertamente os seus desejos e experienciarem o prazer sem medos, culpas ou tabus. Rejeitamos os modelos e as normas sexistas e heterosexistas que apenas geram a violência do preconceito e da discriminação.

Nós mulheres transexuais queremos viver a nossa identidade livre de opressões. Não queremos depender de decisões de “autoridade médica” e demais mecanismos patriarcais de controlo e desumanização. Ser mulher é exigir o direito universal à autodeterminação, à autodefinição, à identidade, pela livre orientação sexual e pela livre expressão de todos os géneros.

Nós mulheres trabalhadoras do sexo queremos ver reconhecida a dignidade do nosso trabalho, com direito a ter direitos. Violência é considerar indignas as mulheres que prestam serviços sexuais, sejam elas bailarinas, atrizes, telefonistas ou prostitutas, perpetuando o estigma, empurrando-as hipocritamente para o isolamento, a desproteção social e a insegurança.

Nós mulheres, trabalhadoras domésticas em casa e fora dela, afirmamos que o nosso trabalho, apesar de não aparecer nas estatísticas nem nos media, gera riqueza e bem-estar, e que este sistema económico e social mantem-se à custa do trabalho invisibilizado que nós realizamos. Além disso, todas nós ainda acarretamos uma violenta dupla jornada de trabalho, despendendo, por dia, mais 4h de trabalho não pago do que os homens. O trabalho doméstico não tem género, tem de ser partilhado.

Nós mulheres, somos cerca de 600 mil desempregadas e milhares sem qualquer fonte de rendimento, milhares de trabalhadoras precárias. Sabemos que a austeridade nos quer mandar de volta para casa, aprisionando-nos a uma condição que tem os contornos da dos séculos passados. A mesma estrutura sexista subsiste e continua a organizar a nossa sociedade, estipulando os papéis sociais que cada pessoa deve ter. Nós não ficaremos reféns desta ideologia retrógrada.

Nós mulheres estamos empenhadas na construção de um outro mundo mais justo, onde a igualdade de género seja uma realidade e a emancipação das mulheres o seu caminho. Exigimos a mudança, os mesmos direitos e as mesmas oportunidades.

Nós mulheres, porque somos muitas e não estamos sós, porque é uma responsabilidade de todas e de todos, no fim-de-semana de 24 e 25 de Novembro exigiremos o fim da violência contra as mulheres.

No dia 24, teremos um concerto, um workshop de defesa pessoal e performances.
No dia 25, marcamos o ponto de encontro no Largo Camões em Lisboa, às 15h, para depois seguirmos manifestando-nos até ao Martim Moniz.
----------------------------------------------------------------------------
Nós decidimos
Nós podemos
Exigimos o fim da violência contra as mulheres!


Apoios/Subscrições:

Associação Comunidária
Associação Mulher Migrante
Associação para a Inovação Social
Opus gay
Associação para a Cidadania, Empreendedorismo, Género e Inovação Social (ACEGIS)
Grupo Transexual Portugal
M12M
Artéria - Humanizing Architecture
Mercado de Fusão do Martim Moniz
Bloco de Esquerda
 

terça-feira, novembro 06, 2012

1º Encontro Nacional de Jovens Transgéneros

É já no próximo dia 17 de novembro que a rede ex aequo organiza o 1º Encontro Nacional de Jovens Transgéneros. Estás desde já convidad@ e aceitamos sugestões para o programa do dia. Se há temas que queiras ver abordados ou tens ideias de dinâmicas, envia um email para geral@rea.pt e poderá ser inserido no programa. Procuramos também ideias e sugestões de sensibilização para as questões T.

Vem falar da família, amigos e trabalho. Partilha as tuas dificuldades. Ou simplesmente vem passar uma tarde de sábado na companhia de pessoas como tu.

Não deixes de participar, inscreve-te até ao dia 9 de novembro pelo email geral@rea.pt. E traz amig@s! =)
Observatório Homofobia/Transfobia na Saúde @ Médicos Pela Escolha
DIVULGAÇÃO